A Venezuela desenvolve um dos modelos de democracia mais participativos do mundo. Além das eleições convencionais, há quatro consultas populares anuais que, em cada comunidade, decidem, de forma direta, os projetos e obras públicas que o Estado deve executar (6).
2. O chavismo destruiu a economia. Falso.
Desde 2015, o governo dos EUA aplicou à Venezuela cerca de mil sanções económicas, expropriou empresas públicas e congelou as suas contas e ativos no exterior (7). Em 2019, o país havia perdido 99% de toda a receita em moeda estrangeira (8), com um recuo de 70% no PIB (9). Nada mais parecido com uma guerra.
No entanto, após seis anos de catástrofe social, a Venezuela conseguiu construir novas alianças económicas nacionais e internacionais e, desde 2022, a economia cresce a um ritmo de 6 %, com conquistas palpáveis, como a soberania alimentar quase total (10).
3. A pobreza é culpa do governo. Falso.
Na primeira fase da Revolução Bolivariana, com Hugo Chávez na presidência, a pobreza foi reduzida em 47% (11). A causa: novas leis soberanas, como a dos Hidrocarbonetos, que deram ao Estado o controlo real das receitas petrolíferas (12). Estes começaram a financiar as chamadas «missões sociais», em economia popular, habitação, educação, cultura ou desporto, muitas em colaboração com Cuba (13).
Mas o bloqueio económico destruiu os fundos petrolíferos que financiavam estes programas, causando um aumento notável da pobreza, a perda do valor dos salários e pensões, uma inflação gigantesca e a paralisação da economia (14).
4. A oposição é perseguida. Falso.
A extrema direita, liderada por María Corina Machado, optou pelo boicote na maioria dos processos eleitorais recentes (15).
É uma oposição antidemocrática, que não só apoia as sanções e a invasão do seu país pelos EUA (16) (17). Além disso, organizou vários golpes de Estado (18) e tentativas de assassinato (19), e impulsionou a violência extrema nas ruas, contra a ordem constitucional (20). Em 2024, esses atos causaram a morte de 27 polícias e militantes chavistas (21).
A sua violência e a sua colaboração com uma potência inimiga (não a expressão de «opiniões») são a causa da prisão daqueles que são apresentados como «presos políticos».
5. Maduro roubou as eleições presidenciais. Falso
Em julho de 2024, a oposição de extrema direita e os serviços de inteligência dos EUA orquestraram uma grande operação para roubar as eleições presidenciais: lançaram um grande ciberataque que paralisou a contagem dos votos e, simultaneamente, divulgaram na imprensa mundial a mentira da sua vitória eleitoral (22).
Dias depois, o Supremo Tribunal de Justiça iniciou uma investigação, para a qual solicitou as atas eleitorais a todas as formações políticas. 38 partidos de todas as ideologias as apresentaram, exceto a Plataforma Unitaria Democrática de Edmundo González e María Corina Machado (23).
Nestes dias, milhões de pessoas enchem as ruas da Venezuela em apoio a Maduro (24), sem um único ato de apoio à intervenção dos EUA. O próprio Donald Trump afirmou que Machado «não tem apoio nem respeito» dentro da Venezuela (25). Mas não diziam que a sua formação ganhou as eleições?
6. A China e Cuba invadiram a Venezuela. Falso.
A China é uma das peças-chave do ataque dos EUA contra a Venezuela. São os acordos de extração e venda de petróleo, utilizando o yuan, a moeda chinesa, que Trump tenta, por todos os meios, destruir (26).
No caso de Cuba, desde o ano 2000 existe um Acordo Integral de Cooperação com a Venezuela, paradigma da colaboração Sul-Sul. Cuba recebe petróleo e, em troca, presta serviços, principalmente de saúde, em benefício das comunidades venezuelanas de menores recursos (27).
Além disso, ajuda em matéria de segurança: em 3 de janeiro, 32 militares cubanos que protegiam Maduro foram assassinados pelos EUA durante o seu sequestro (28). Mas é totalmente falso que haja tropas cubanas na Venezuela (29). Se existissem, há anos que teriam sido fotografadas pelos satélites norte-americanos.
7. O governo provocou a expulsão de milhões de pessoas do país. Falso.
Antes do bloqueio económico, em plena era chavista, a Venezuela era um país receptor de imigração. Por exemplo, cinco milhões de colombianos e colombianas fugiram da miséria e da violência (30). Mas o bloqueio dos EUA, tal como em Cuba, fez com que milhões de pessoas tivessem de sair do país em busca de uma vida melhor (31).
Tal como no caso cubano, a Casa Branca e os meios de comunicação ao seu serviço construíram uma narrativa vitimista e falsa sobre pessoas «refugiadas», «perseguidas» ou «fugidas» do seu país (32) (33).
A venezuelana e a cubana são emigrações forçadas, sem dúvida. Mas não por Caracas ou Havana, e sim por Washington. Embora, devido à guerra psicológica nos meios de comunicação e nas redes sociais, uma parte esteja agora a aplaudir o seu próprio carrasco.
Um carrasco que, aliás, ainda não ganhou a guerra.
Fonte: https://www.cubainformacion.tv/especiales/20260113/120127/120127-venezuela-verdades-y-mentiras-sobre-democracia-pobreza-y-emigracion-italiano-deutsch-portugues-francais