As declarações de Itamar Ben-Gvir, nas quais ele exige a execução de palestinos “por enforcamento, cadeira elétrica, injeção letal ou fuzilamento”, não podem ser consideradas um deslize ou uma provocação passageira. Elas constituem uma expressão explícita de uma doutrina política que busca transformar a vingança em legislação e o ódio em lei.
Quando um ministro de um governo interino fala com tanta naturalidade sobre métodos de execução, a questão transcende qualquer debate político ou de segurança. Estamos diante de uma tentativa flagrante de normalizar a ideia de execução legal e de revestir de uma falsa “justiça” uma punição aplicada no contexto de uma ocupação prolongada, onde não há equilíbrio, igualdade perante a lei e nem condições mínimas para a verdadeira justiça.
O direito internacional é claro e não admite ambiguidade. O Artigo 6º do Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos restringe severamente a aplicação da pena de morte, e mais de 110 países a aboliram completamente. Promover sua institucionalização como uma ferramenta sistemática contra um povo submetido à ocupação não é uma medida legal, mas uma posição ideológica extremamente perigosa.
A retórica da forca não é um discurso de segurança, mas de intimidação coletiva. Reflete uma lógica que visa desumanizar os palestinos e transformá-los em entidades descartáveis. A história nos ensina que toda grande catástrofe começou com um discurso que negava a humanidade da vítima.
A justiça não se constrói com cordas,
a segurança não se impõe com forcas,
a ética não nasce da incitação à morte.
A comunidade internacional está agora obrigada a ir além de declarações de preocupação. É necessária uma posição clara e firme contra qualquer discurso oficial que legitime a pena de morte como uma opção política em um contexto de ocupação.
A Palestina não precisa de mais leis penais,
mas sim de proteção internacional efetiva,
do fim da ocupação,
e do pleno respeito à dignidade humana.
União Palestina da América Latina – UPAL
11 de fevereiro de 2026