Desde o início de outubro do ano passado, os juízes dos Estados Unidos decidiram mais de 4.400 vezes contra o ICE, a polícia de imigração, por detenção ilegal de imigrantes. Em alguns casos, o governo manteve os imigrantes presos mesmo depois de um juiz ter ordenado a sua libertação.
O número de pessoas sob custódia do ICE disparou para 68.000 este mês, 75% mais do que quando Trump assumiu o cargo há um ano (*).
Em meados do ano passado, o plano do governo era deter 3.000 pessoas diariamente, com o objetivo de chegar a um milhão este ano. Isso levou a polícia a focar principalmente em pessoas sem antecedentes criminais, contrariando as mensagens emitidas pela Casa Branca, equiparando imigrantes a criminosos.
Desde o início do mandato de Trump, os imigrantes apresentaram mais de 20.200 procedimentos de habeas corpus, alegando que haviam sido detidos indefinidamente sem julgamento.
Em pelo menos 4.421 casos, mais de 400 juízes federais determinaram que, de facto, as suas detenções foram ilegais. No mês passado, foram apresentados mais de 6.000 processos de habeas corpus. Antes do segundo mandato de Trump, nenhum outro mês tinha chegado sequer a 500 casos de habeas corpus.
Devido ao grande volume de impugnações judiciais, muitas vezes o governo de Trump não conseguiu cumprir as decisões judiciais, deixando pessoas detidas mesmo após os juízes terem ordenado a sua libertação.
No mês passado, o juiz Patrick J. Schiltz, do tribunal de distrito do Minnesota, forneceu uma lista de quase cem ordens judiciais que o ICE tinha violado nesse mesmo mês enquanto estava em operação como parte da repressão de Trump.
(*) https://www.reuters.com/legal/government/courts-have-ruled-4400-times-that-ice-jailed-people-illegally-it-hasnt-stopped-2026-02-14/