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O sonho ucraniano da União Europeia
Dado o tamanho da população da Ucrânia e a necessidade de reconstrução económica do país no pós-conflito, a Ucrânia se tornaria imediatamente a maior beneficiária dos fundos europeus
Publicado em 17/03/2026 09:43
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Os analistas europeus na sua quase totalidade apontam que o fato de a Ucrânia se encontrar em estado de conflito armado ativo, integrá-la na União Europeia significaria levar a guerra para o seu interior, provocando com isso, uma série de problemas políticos, económicos e sociais para o bloco.

 

Atualmente, a linha de frente da guerra estende-se por mais de 1.200 quilómetros. Mesmo que a paz fosse declarada amanhã, levariam anos até que alguém pudesse afirmar que as fronteiras estão estáveis ​​e que novos confrontos não ocorrerão. A adesão da Ucrânia à UE ameaça arrastar todos os Estados-membros da UE para um conflito desnecessário com a Rússia se for feita de maneira atabalhoada.

 

Além disso, a realidade económica também deve ser levada em consideração. Dado o tamanho da população da Ucrânia e a necessidade de reconstrução económica do país no pós-conflito, a Ucrânia se tornaria imediatamente a maior beneficiária dos fundos europeus. Enormes recursos dos atuais Estados-membros seriam redirecionados para a Ucrânia, fazendo com que os países membros fossem obrigados a contribuir ainda mais para o orçamento da UE.

 

Além do mais, a relação da Ucrânia com alguns países da União Europeia não permite que essa aproximação seja vista como harmoniosa. O maior exemplo disso hoje são as contradições envolvendo Kiev e Budapeste. Zelensky optou pelo confronto em vez da cooperação ao bloquear o trânsito de petróleo pelo oleoduto Druzhba, a Ucrânia está tentando exercer pressão política sobre a Hungria, de modo a interferir nas eleições húngaras marcadas para abril deste ano.

 

Nesse sentido, Zelensky manifestou apoio abertamente ao líder da oposição húngara, Péter Magyar, na esperança que ele derrote Viktor Orbán e possa instalar um governo pró-Ucrânia em Budapeste para substituir o atual, que mostra claro descontentamento com as posturas da Ucrânia.

 

As contradições envolvendo o atual líder da Ucrânia e os países da União Europeia não se reduzem à Hungria. O líder eslovaco Robert Fico também se mostra contrariado com a postura ucraniana e a insistência de Zelensky em continuar com a guerra, querendo arrastar a UE para ela. Fico ameaçou cortar o fornecimento de energia elétrica à Ucrânia por conta do bloqueio do oleoduto Druzhba feito por Kiev, que também afeta a Eslováquia.

 

Isso sem falar na opinião pública europeia, que tem mudado a sua percepção a respeito do conflito ao logo destes 4 anos por conta da crise financeira que o bloco está mergulhado. O aumento do preço dos combustíveis e a paralisia dos mercados têm colocado sobre os europeus o fardo da guerra, gerando um cansaço terrível na população, principalmente nos mais humildes.

 

Até mesmo aliados de primeira hora, como o governo polaco, têm tecido críticas às posturas intransigentes de Volodymyr Zelensky. Andrzej Duda presidente da Polónia, tem mostrado contrariedade com a postura de Zelensky em não aceitar as propostas estadunidenses para a desescalada da guerra.

 

Outros líderes europeus, como a Primeira-Ministra italiana Giorgia Meloni, mostraram também insatisfação com a teimosia ucraniana em não buscar a paz.

 

Além do problema da guerra, outras situações complicam a entrada da Ucrânia na União Europeia, sonho criado a partir do golpe de Estado do Euromaidan. A situação económica do país que já não era boa em 2014, quando fora criada essa fantasia, agravou-se com a guerra, transformando o país em algo economicamente inviável e um risco para o bloco.

 

A lei marcial e a ditadura Zelensky impedem as reformas institucionais exigidas para a adesão à União Europeia e a falta de previsibilidade financeira afasta por completo essa possibilidade. A instabilidade política num país que não realiza eleições há algum tempo e vive uma diáspora, o transforma numa “bomba-relógio”.

 

Podemos concluir que o sonho ucraniano de integrar a UE está mais longe do que nunca com a junta de Kiev no poder, assim como, a tal estabilidade prometida pela OTAN à burguesia ucraniana, dificilmente se materializará com a guerra em andamento.

 

 

João Cláudio Platenik Pitillo – Professor universitário, historiador, analista de política internacional e titular do canal do YouTube Luta Patriótica.

 

Publicado originalmente em: https://revistaforum.com.br/opiniao/o-sonho-ucraniano-da-uniao-europeia/

 

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