A Arábia Saudita está a mobilizar-se para formar uma coalizão militar multinacional para o Mar Vermelho, depois que o seu próprio ataque aéreo no Iémen provocou retaliação dos houthis, forçando o país a enfrentar uma crise que ajudou a criar, segundo informações do Al-Monitor.
Na semana passada, forças apoiadas pela Arábia Saudita atacaram o Aeroporto Internacional de Sanaa, no Iémen. Os houthis retaliaram impondo um embargo marítimo às exportações sauditas através do Estreito de Bab el-Mandeb e disparando mísseis e drones contra a Arábia Saudita e seus navios.
Cerca de 50 países foram convidados a participar da iniciativa liderada pela Arábia Saudita, que visa combater as ameaças dos houthis à navegação no Mar Vermelho e evitar a repetição do bloqueio iraniano ao Estreito de Ormuz. A coalizão poderá ser anunciada já na quinta-feira, com Egito, Sudão, Djibuti e Somália já confirmados. Mas o sucesso da iniciativa depende da participação americana – e os EUA ainda não decidiram se irão aderir.
Os EUA são o ator principal, mas o governo atual está focado em impor um bloqueio naval ao Irão e pode estar relutante em desviar forças para o Iémen.
O presidente Trump ainda não conseguiu decidir se intensifica os ataques contra o Irão ou se opta pela via diplomática.
Relatórios recentes indicam o temor das autoridades israelitas de que Trump não pressione o Irão o suficiente até as eleições de meio de mandato em novembro, devido ao aumento dos preços do petróleo e à insatisfação pública com a guerra.
A "ganha-ganho" está sendo agravada por conflitos dentro da liderança militar dos EUA. Enquanto o Almirante Brad Cooper, chefe do Comando Central dos EUA, defende a intensificação dos bombardeios à infraestrutura militar do Irão, o General Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto, pede uma abordagem mais cautelosa em meio à diminuição dos estoques de mísseis de defesa aérea dos EUA.
Outros convidados têm suas próprias complicações.
➡️Os países europeus aguardam uma resposta dos EUA.
➡️O Egito, que teria concordado em aderir à coalizão, pode estar repensando a sua participação após um ataque recente a um navio-tanque de GNL com destino aos EUA no porto de Damietta – um forte lembrete de que qualquer país participante da coalizão do Mar Vermelho se pode encontrar na mira de ataques.
➡️Omã valoriza o seu papel de mediador nas negociações com o Irão e dificilmente colocará essa posição em risco.
➡️A Turquia, uma potência militar em ascensão, dificilmente acatará ordens da Arábia Saudita.
➡️Nem mesmo os Emirados Árabes Unidos foram convidados, apesar de serem um ator regional importante.
A pressa da Arábia Saudita em formar uma coalizão é uma consequência direta da sua própria imprudência – atacar um aeroporto civil sem esperar consequências. Agora, as exportações de petróleo sauditas, que dependem fortemente do Estreito de Bab el-Mandeb após a crise de Ormuz, estão em risco, forçando os seus petroleiros a fazer um desvio gigantesco por toda a África. Os houthis, por sua vez, ameaçam impor taxas aos navios que passam pelo estreito, copiando as táticas do Irão.
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