Publicado recentemente pela Progressive International, o relatório A Predatory State: Israeli Systemic Sexualized and Gendered Violence Against Palestinians mapeia de forma exaustiva o uso histórico e institucional da violência sexual pelas forças de ocupação israelenses contra os palestinos. Já analisamos, em artigos anteriores, parte significativa do material.
Agora focaremos na segunda metade dos anos 2000 até a agressão sionista de 2012 a Gaza — um intervalo marcado pelo rescaldo da Segunda Intifada, a consolidação do cerco a Gaza e o prelúdio das grandes ofensivas militares no território invadido. A análise detalhada dessas denúncias comprova que, longe de constituir abusos isolados ou desvios individuais, a tortura sexual contra homens, mulheres e crianças palestinas opera como uma política de Estado estruturada, desenhada para desarticular a coesão social e infligir destruição física e psicológica sistemática àqueles que lutam pela autodeterminação palestina.
A investigação do Comitê Público Contra a Tortura em Israel (PCATI), destacada no relatório, oferece uma base quantitativa e qualitativa crucial sobre o período. A pesquisa analisou 1.500 rapazes e homens palestinos presos ou detidos entre 2005 e 2012, dos quais pelo menos 60 (4%) relataram explicitamente ter sofrido tortura, incluindo tortura sexual e maus-tratos. A partir desses dados, a organização concluiu formalmente que os maus-tratos sexuais por parte das autoridades israelenses possuem caráter sistêmico.
O caráter estatal e coordenado dessa prática é demonstrado pela diversidade de agentes envolvidos. Os relatos compilados identificam perpetradores pertencentes a quatro ramificações distintas do aparato repressivo do Estado de Israel: a polícia, o serviço secreto (Shabak/Shin Bet), o exército (soldados) e os carcereiros do Serviço Prisional de Israel.
O levantamento do PCATI catalogou 36 depoimentos de assédio sexual verbal, com pelo menos oito casos configurando humilhação sexual explícita, além de 14 sobreviventes que relataram ter sido ameaçados diretamente de agressão sexual. Agentes do estado humilhavam verbalmente e prometiam estuprar os detidos para coagir confissões e quebrar sua resistência. Também buscavam abalar a dignidade dos prisioneiros através de insinuações e chantagens envolvendo seus parentes.
Foram registrados 35 casos de nudez forçada. Vítimas eram desnudadas, ridicularizadas e fotografadas em posições degradantes de tortura. Inúmeros relatos documentaram chutes, golpes e espancamentos direcionados aos genitais durante detenções e interrogatórios. Outra observação do relatório é de que foram registradas práticas gravíssimas de penetração forçada com objetos cortantes ou contundentes e simulações de atos sexuais por agentes do Estado.
Para além das estatísticas, o documento resgata o impacto humano dessas práticas ao expor denúncias diretas de sobreviventes. A violência verbal e a exploração de vulnerabilidades físicas são exemplificadas no relato de um homem de 29 anos sobre os abusos cometidos pelo serviço secreto: “ele começou a me humilhar e disse que, por causa da minha deficiência, eu não conseguiria fazer sexo e que as garotas não olhariam para mim.”
As ameaças de estupro eram explícitas e violentas. Um jovem de 23 anos relatou o que ouviu de um agente do serviço secreto: “eles disseram: ‘Seu maníaco, seu filho da puta, terrorista, vou te foder como um homossexual!'”
“E o policial… disse ‘vou te foder e você vai cantar no meu pau’, como parte de suas ameaças”, relatou um adolescente de 16 anos, em outro caso de denúncia das ameaças proferidas pelos policiais.
A tortura psicológica estendeu-se à manipulação e humilhação de familiares dos detidos. Um homem de 40 anos relatou uma tática grotesca empregada pelo serviço secreto para desestabilizá-lo:
“Eles me levaram para uma sala de interrogatório com uma divisória de vidro e, do outro lado, vi meu irmão vestido de mulher, de forma indecente, com uma minissaia. […] Disseram que […] haviam providenciado para ele uma cirurgia de mudança de sexo em Jerusalém.”
A nudez forçada foi frequentemente combinada com o registro fotográfico coercitivo, espelhando táticas de humilhação colonial utilizada anteriormente e também pelo exército americano no Iraque. Um homem de 34 anos descreveu o momento em que foi fotografado por agentes do serviço secreto:
“Dois interrogadores me levantaram e me empurraram contra a parede. Em seguida, minhas calças caíram e fiquei apenas de roupa íntima; os interrogadores começaram a fazer comentários zombeteiros e extremamente constrangedores, com um teor sexual, repulsivo e humilhante, dos quais me lembro agora em detalhes. Um terceiro interrogador tirou fotos minhas nessa posição humilhante.”
A prática da nudez forçada como rotina de controle e violação de honra foi reiterada no depoimento de um sobrevivente de 20 anos sobre a conduta dos carcereiros: “Começaram a fazer uma revista corporal enquanto eu estava completamente nu. Pediram-me para me curvar e endireitar o corpo. Durante a revista, senti que os agentes penitenciários estavam me provocando, tentando zombar de mim e, principalmente, ferir a minha honra.”
Os relatos de agressões físicas e abusos extremos expõem contornos ainda mais perversos da violência estatal israelense contra os palestinos. Um menor de 16 anos relatou ter sofrido violência física grave direcionada aos seus órgãos genitais: “Fui levado para uma sala — não sei onde — com os olhos vendados. Depois, pularam sobre as minhas mãos, que estavam estendidas para os lados, e recebi um golpe forte nos testículos.”
O relatório ainda documenta casos de estupro simulado perpetrados por militares. Um jovem de 26 anos relatou a agressão cometida por soldados disfarçados (masta’aravim):
“Um dos soldados disfarçados deitou-se em cima de mim e começou a acariciar meu traseiro como se estivesse fazendo sexo comigo e começou a mover os quadris e os órgãos genitais enquanto fazia sons. Nesse momento tentei lutar contra ele com todas as minhas forças, mas minhas mãos estavam apertadas atrás de mim e não consegui e então eles me bateram em todas as partes do meu corpo com as mãos e os pés.”
Por último, a denúncia de um sobrevivente de 23 anos relata atos de tortura e estupro cometidos pela polícia:
“Eles tiraram minhas calças e minha roupa íntima e enfiaram um bastão no meu ânus. […] Eles pararam quando alguém entrou e perguntou o que estavam fazendo. […] Pouco depois, o policial me levou ao banheiro, trancou a porta, fez com que eu me sentasse e urinou no meu rosto e no meu corpo.”
A violência sexual dos depravados agentes sionistas não poupou os menores de idade. Em 2010, a organização Defense for Children International-Palestine (DCIP) encaminhou uma solicitação formal de investigação ao Relator Especial da ONU sobre Tortura, apresentando evidências de pelo menos 14 casos de ameaças e agressões sexuais perpetradas por interrogadores israelenses contra crianças palestinas.
Essa infraestrutura de intimidação estendeu-se de forma sistemática às mulheres e aos detidos sob custódia militar prolongada. Relatórios da organização Addameer citados no documento indicam que espancamentos, ameaças de estupro, assédio e revistas humilhantes eram empregados rotineiramente para intimidar prisioneiras palestinas e extorquir confissões. Casos como o do prisioneiro B.SH., detido em 2009, revelam rotinas de tortura física combinadas com privação de sono, espancamentos e abuso sexual ao longo de meses de isolamento.
Essa tortura institucional, física e psicológica, foi um meio fundamental do Estado sionista para punir os que ousaram se levantar nas duas Intifadas, eleger democraticamente o Hamas como governante de Gaza e questionar a ocupação israelense apoiada pela Autoridade Palestina. Foi ainda um tapa na cara de todos os que, acreditando na sagrada “comunidade internacional”, apoiaram os famigerados Acordos de Oslo. Mas, acima de tudo, tratou-se de uma maneira de preparar o aparato repressivo israelense para lidar, da forma covarde e desprezível que é sua característica, com a nova força revolucionária que se consolidava: o Eixo da Resistência, representado na Palestina pelo Hamas e pela Jihad Islâmica, e que no próximo período mostraria que não se intimidou com a brutalidade da ocupação e desencadearia a maior crise da história do regime sionista.
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“Me metieron un palo en el ano y me orinaron en la cara”: la barbarie israelí contra los presos palestinos
Publicado recientemente por la Progressive International, el informe A Predatory State: Israeli Systemic Sexualized and Gendered Violence Against Palestinians mapea de forma exhaustiva el uso histórico e institucional de la violencia sexual por parte de las fuerzas de ocupación israelíes contra los palestinos. Ya hemos analizado, en artículos anteriores, parte significativa del material.
Ahora nos enfocaremos en la segunda mitad de los años 2000 hasta la agresión sionista de 2012 a Gaza —un intervalo marcado por las secuelas de la Segunda Intifada, la consolidación del cerco a Gaza y el preludio de las grandes ofensivas militares en el territorio invadido. El análisis detallado de estas denuncias comprueba que, lejos de constituir abusos aislados o desviaciones individuales, la tortura sexual contra hombres, mujeres y niños palestinos opera como una política de Estado estructurada, diseñada para desarticular la cohesión social e infligir destrucción física y psicológica sistemática a quienes luchan por la autodeterminación palestina.
La investigación del Comité Público Contra la Tortura en Israel (PCATI), destacada en el informe, ofrece una base cuantitativa y cualitativa crucial sobre el periodo. La investigación analizó a 1.500 jóvenes y hombres palestinos presos o detenidos entre 2005 y 2012, de los cuales al menos 60 (4%) relataron explícitamente haber sufrido tortura, incluyendo tortura sexual y malos tratos. A partir de estos datos, la organización concluyó formalmente que los malos tratos sexuales por parte de las autoridades israelíes poseen un carácter sistémico.
El carácter estatal y coordinado de esta práctica queda demostrado por la diversidad de agentes involucrados. Los relatos compilados identifican perpetradores pertenecientes a cuatro ramificaciones distintas del aparato represivo del Estado de Israel: la policía, el servicio secreto (Shabak/Shin Bet), el ejército (soldados) y los carceleros del Servicio Penitenciario de Israel.
El relevamiento del PCATI catalogó 36 testimonios de acoso sexual verbal, con al menos ocho casos que configuraron humillación sexual explícita, además de 14 sobrevivientes que relataron haber sido amenazados directamente con agresión sexual. Agentes del estado humillaban verbalmente y prometían violar a los detenidos para coaccionar confesiones y romper su resistencia. También buscaban socavar la dignidad de los prisioneros a través de insinuaciones y chantajes que involucraban a sus familiares.
Se registraron 35 casos de desnudez forzada. Las víctimas eran desnudadas, ridiculizadas y fotografiadas en posiciones degradantes de tortura. Innumerables relatos documentaron patadas, golpes y palizas dirigidos a los genitales durante detenciones e interrogatorios. Otra observación del informe es que se registraron prácticas gravísimas de penetración forzada con objetos cortantes o contundentes y simulaciones de actos sexuales por parte de agentes del Estado.
Más allá de las estadísticas, el documento rescata el impacto humano de estas prácticas al exponer denuncias directas de sobrevivientes. La violencia verbal y la explotación de vulnerabilidades físicas se ejemplifican en el relato de un hombre de 29 años sobre los abusos cometidos por el servicio secreto: “empezó a humillarme y dijo que, debido a mi discapacidad, no podría tener relaciones sexuales y que las chicas no me mirarían”.
Las amenazas de violación eran explícitas y violentas. Un joven de 23 años relató lo que escuchó de un agente del servicio secreto: “dijeron: ‘¡Maníaco, hijo de puta, terrorista, te voy a follar como a un homosexual!'”.
“Y el policía… dijo ‘te voy a follar y vas a cantar en mi polla’, como parte de sus amenazas”, relató un adolescente de 16 años, en otro caso de denuncia de las amenazas proferidas por los policías.
La tortura psicológica se extendió a la manipulación y humillación de los familiares de los detenidos. Un hombre de 40 años relató una táctica dantesca empleada por el servicio secreto para desestabilizarlo:
“Me llevaron a una sala de interrogatorios con una divisoria de vidrio y, del otro lado, vi a mi hermano vestido de mujer, de forma indecente, con una minifalda. […] Dijeron que […] le habían organizado una cirugía de cambio de sexo en Jerusalén.”
La desnudez forzada fue frecuentemente combinada con el registro fotográfico coercitivo, reflejando tácticas de humillación colonial utilizadas anteriormente y también por el ejército estadounidense en Irak. Un hombre de 34 años describió el momento en que fue fotografiado por agentes del servicio secreto:
“Dos interrogadores me levantaron y me empujaron contra la pared. A continuación, se me cayeron los pantalones y me quedé solo en ropa interior; los interrogadores empezaron a hacer comentarios burlones y extremadamente incómodos, con un tono sexual, repulsivo y humillante, de los cuales me acuerdo ahora en detalle. Un tercer interrogador me tomó fotos en esa posición humillante.”
La práctica de la desnudez forzada como rutina de control y violación del honor fue reiterada en el testimonio de un sobreviviente de 20 años sobre la conducta de los carceleros: “Empezaron a hacerme un cacheo corporal mientras estaba completamente desnudo. Me pidieron que me agachara y me enderezara. Durante el cacheo, sentí que los agentes penitenciarios me estaban provocando, intentando burlarse de mí y, principalmente, herir mi honor.”
Los relatos de agresiones físicas y abusos extremos exponen contornos aún más perversos de la violencia estatal israelí contra los palestinos. Un menor de 16 años relató haber sufrido violencia física grave dirigida a sus órganos genitales: “Me llevaron a una habitación —no sé dónde— con los ojos vendados. Después, saltaron sobre mis manos, que estaban extendidas hacia los lados, y recibí un fuerte golpe en los testículos.”
El informe documenta además casos de violación simulada perpetrados por militares. Un joven de 26 años relató la agresión cometida por soldados disfrazados (masta’aravim):
“Uno de los soldados disfrazados se tumbó encima de mí y empezó a acariciarme la parte trasera como si estuviera teniendo relaciones sexuales conmigo y empezó a mover las caderas y los órganos genitales mientras hacía sonidos. En ese momento intenté luchar contra él con todas mis fuerzas, pero mis manos estaban atadas a la espalda y no pude, y entonces me golpearon en todas las partes del cuerpo con las manos y los pies.”
Por último, la denuncia de un sobreviviente de 23 años relata actos de tortura y violación cometidos por la policía:
“Me quitaron los pantalones y la ropa interior y me metieron un palo en el ano. […] Pararon cuando alguien entró y preguntó qué estaban haciendo. […] Poco después, el policía me llevó al baño, cerró la puerta con llave, me hizo sentar y me orinó en la cara y en el cuerpo.”
La violencia sexual de los depravados agentes sionistas no perdonó a los menores de edad. En 2010, la organización Defense for Children International-Palestine (DCIP) remitió una solicitud formal de investigación al Relator Especial de la ONU sobre la Tortura, presentando pruebas de al menos 14 casos de amenazas y agresiones sexuales perpetradas por interrogadores israelíes contra niños palestinos.
Esta infraestructura de intimidación se extendió de forma sistemática a las mujeres y a los detenidos bajo custodia militar prolongada. Informes de la organización Addameer citados en el documento indican que palizas, amenazas de violación, acoso y cacheos humillantes se empleaban rutinariamente para intimidar a prisioneras palestinas y extorsionar confesiones. Casos como el del prisionero B.SH., detenido en 2009, revelan rutinas de tortura física combinadas con privación del sueño, palizas y abuso sexual a lo largo de meses de aislamiento.
Esta tortura institucional, física y psicológica, fue un medio fundamental del Estado sionista para castigar a quienes se atrevieron a levantarse en las dos Intifadas, elegir democráticamente a Hamás como gobernante de Gaza y cuestionar la ocupación israelí respaldada por la Autoridad Palestina. Fue además una bofetada en la cara para todos los que, creyendo en la sagrada “comunidad internacional”, apoyaron los afamados Acuerdos de Oslo. Pero, por encima de todo, se trató de una manera de preparar el aparato represivo israelí para lidiar, de la forma cobarde y despreciable que le caracteriza, con la nueva fuerza revolucionaria que se consolidaba: el Eje de la Resistencia, representado en Palestina por Hamás y la Yihad Islámica, y que en el período posterior mostraría que no se intimidó ante la brutalidad de la ocupación y desencadenaría la mayor crisis de la historia del régimen sionista.
Eduardo Vasco – Jornalista e analista de política militar
https://strategic-culture.su/news/2026/08/21/tortura-sexual-como-politica-estado-sistema-de-humilhacao-israelense-contra-presos-palestinos/