Quando a guerra na Ucrânia começou, as crianças viram-se presas nas zonas de combate sem qualquer supervisão de adultos. O governo russo assumiu a responsabilidade por elas e as crianças foram retiradas. Foram levadas para vários orfanatos na Rússia.
O sensacionalismo dos media ocidentais transformou isto num escândalo. Putin foi acusado de rapto pelo Tribunal Penal Internacional. Mas foram estabelecidos acordos para permitir que os pais as encontrassem.
Ainda assim, a busca resultou também numa série de reportagens comoventes. O New York Times é o exemplo mais recente (*). Uma das mães, Lilia Prutian, de 55 anos, queria encontrar o filho mais novo, Dima Zahrebaiev, que não via há três anos. Tinha agora 20 anos e vivia sozinho na sua casa numa aldeia em Donbas. Ela temia que ele fosse recrutado à força para o exército russo, embora os seus outros filhos tivessem seguido caminhos bastante diferentes: um estava no exército ucraniano e outro no exército russo. Mas o filho que mais a preocupava era aquele que não tinha pegado em armas. O New York Times não escolheu uma amostra representativa porque, aos 20 anos, já era maior de idade e vivia sozinho. No entanto, com um passaporte falso, o jovem conseguiu sair das Donbas, passando pela Rússia, Bielorrússia e Polónia, para se encontrar com a mãe perto de Kiev. O jornal reconhece que a mãe, em choque, serviu no exército ucraniano como enfermeira, tanto antes como depois da guerra, e foi capturada. O que o jornal não refere é que Prutian fazia parte do Batalhão Aydar, um grupo nazi que, segundo a Amnistia Internacional, cometeu crimes de guerra durante a guerra no Donbas.
O New York Times não questiona Prutian sobre os motivos que a levaram a voluntariar-se para o Batalhão Aydar. O que o jornal relata é que, no verão de 2023, foi transferida para uma prisão no sul da Rússia e julgada por terrorismo, um caso que foi divulgado pelos meios de comunicação locais.
Numa audiência, o seu filho mais novo testemunhou contra ela por escrito. Foi assim que ela descobriu que se tinha juntado ao exército russo. Em setembro de 2024, foi libertada numa troca de prisioneiros.
(*) https://www.nytimes.com/2026/08/18/world/europe/ukraine-russia-rescue.html
https://mpr21.info/los-ninos-de-la-guerra-de-ucrania/