Segundo um relatório da BDO, a fábrica sofreu uma combinação de desafios operacionais e de mercado que impactaram negativamente seu desempenho e geração de receita.
Diz o ditado que, ao ver a barba do vizinho sendo feita, você deve molhar a sua. Portugal emitiu um sério alerta para todo o setor de energias renováveis na Península Ibérica. A maior usina fotovoltaica do país declarou falência. Segundo o semanário Expresso, a empresa britânica Welink Energy Portugal 2 UK, proprietária da Solara4, a maior usina solar do país, entrou em processo de insolvência, de acordo com um relatório publicado este mês pela consultoria BDO, obtido por esta publicação portuguesa.
A central, que tem uma capacidade de 219 MW, está localizada na região do Algarve, mais especificamente na cidade de Alcoutim, e foi obrigada a declarar falência.
Segundo o relatório da BDO, a fábrica "passou por uma combinação de desafios operacionais e de mercado que impactaram negativamente o seu desempenho e geração de fluxo de caixa".
"A produção de eletricidade tem permanecido consistentemente abaixo das previsões iniciais. Ao mesmo tempo, o mercado energético ibérico tem registado um crescimento significativo da capacidade de produção de energia solar. Este aumento da oferta reduziu os preços grossistas, que por vezes caíram para zero ou mesmo para valores negativos", afirma o documento. Devido à confluência destes fatores, "as receitas têm sido inferiores ao esperado".
Essa baixa renda está a acontecer com a grande maioria dos ativos solares em Portugal e Espanha que optaram por operar no mercado livre, em vez de aderir a um PPA ou outro tipo de contrato.
Projeto fracassado. O Solara4 começou a operar há apenas cinco anos, em 2021, e a Welink já planeava hibridizá-lo, transformando-o num dos maiores complexos de energia renovável. Os planos da empresa britânica incluíam a adição de 50 MW de energia solar e a hibridização com 264 MW de energia eólica provenientes de 40 turbinas e um sistema de armazenamento de energia em baterias (BESS) de 100 MW. No total, teria uma capacidade instalada de mais de 600 MW e a projeção era de geração de aproximadamente 1,1 TWh por ano. Toda essa expansão foi rejeitada pelo governo português na avaliação ambiental e teve que ser reduzida, especialmente o parque eólico. Por fim, não obteve a autorização necessária.
A Welink colocou a fábrica à venda, e a placa permanece no local enquanto se decide o que fazer com a falência da empresa proprietária da fábrica (uma subsidiária do grupo britânico).
O portal de notícias Expresso também apontou outros problemas enfrentados pela Welink, como o confronto com um grupo de construção chinês que a acompanhou no lançamento do projeto.
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