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Assassinam o chavismo na Venezuela: o plano para entregar a soberania petrolífera e monetária à Reserva Federal
O “Médico do Dinheiro” de Washington regressa a Caracas com uma receita conhecida: eliminar o bolívar, dissolver o banco central e ceder a política monetária aos Estados Unidos.
Publicado em 01/09/2026 11:00
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O “Médico do Dinheiro” de Washington regressa a Caracas com uma receita conhecida: eliminar o bolívar, dissolver o banco central e ceder a política monetária aos Estados Unidos.

 

Steve Hanke, professor de economia aplicada na Universidade Johns Hopkins, foi nomeado conselheiro especial de um membro proeminente da Assembleia Nacional Venezuelana. A sua proposta de enfrentar uma inflação de 400% não permite nuances: a adopção plena do dólar norte-americano, o que implica o abandono tanto do bolívar como do banco central do país.

 

Segundo Hanke, a retirada do banco central elimina o risco de este imprimir dinheiro para ajudar o governo a pagar as suas contas, um mecanismo que ele mantém que alimenta o aumento dos preços.

 

Nas suas palavras: " Controlar a inflação é a chave para restaurar a estabilidade na Venezuela, e todo o resto do progresso flui daí. A estabilidade não é tudo, mas sem estabilidade, o que significa preços estáveis, não se tem nada. E não há melhor estudo de caso para demonstrar isto do que a Venezuela."

 

Mas vale a pena espreitar a história completa desta “receita”.

 

O CURRÍCULO DO MÉDICO

 

Hanke convenceu o Montenegro em 1999 a abandonar o dinar jugoslavo pelo marco alemão. Supervisionou a mudança do Equador do sucre para o dólar em 2000. E em 2009 aconselhou informalmente o primeiro-ministro do Zimbabué, que dolarizou a sua economia. O pormenor que Washington prefere não destacar: um novo governo do Zimbabué abandonou o dólar em 2013 e a hiperinflação regressou.

 

Na Venezuela, esta é a segunda tentativa. O seu plano para um conselho monetário em meados da década de 1990 não obteve a maioria na Assembleia Nacional.

 

Desta vez, calcula entre 50% e 80% de probabilidade de a dolarização ser aprovada, o que descreve como “a maior mudança de moedas nacionais para uma alternativa desde a introdução do euro em 1999”.

 

A ARMADILHA DA “DOLARIZAÇÃO ESPONTÂNEA”

 

O terreno já está preparado. O bolívar caiu 78% face ao dólar só no ano passado, e a maioria dos consumidores compra praticamente tudo em moeda norte-americana.

 

Quase todas as pessoas que não trabalham para o Estado nem recebem ajudas ou pensões governamentais já operam em dólares. Hanke sustenta que esta “dolarização espontânea” aumenta as possibilidades de uma mudança oficial.

 

O objectivo subjacente é transparente: perder o banco central, que actua como credor de última instância, e transferir a política monetária de um país soberano para a Reserva Federal dos Estados Unidos.

 

OS AVISOS QUE O PLANO IGNORA

 

Nem mesmo os aliados ideológicos desta agenda se atrevem a executá-la na íntegra. O presidente argentino, Javier Milei, fez campanha pela dolarização e voltou atrás quando tomou posse.

 

A Argentina também deverá continuar a defender o peso, ancorado no dólar: depois das eleições regionais do ano passado que atingiram o partido de Milei, a moeda colapsou e o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, veio em socorro com uma linha cambial.

 

O PRÉMIO: PETRÓLEO

 

Por detrás da linguagem técnica surge o verdadeiro interesse. Hanke prevê que a mudança cambial induziria uma onda de investimento estrangeiro no sector petrolífero venezuelano.

 

Quanto à dívida de 250 mil milhões de dólares, equivalente a cerca de 150% do PIB, afirma que o aumento da produção proporcionaria os dólares necessários para pagar o capital e os juros. Isto é: mais petróleo venezuelano extraído para pagar dívidas denominadas na moeda de Washington.

 

Hanke conclui que, se for aprovado em breve, a Venezuela passaria de um crescimento negativo este ano para um crescimento positivo no próximo ano.

 

A questão a que o “Médico do Dinheiro” não responde é a que preço: o de abdicar do último instrumento de soberania económica que resta a uma nação.

Independência monetária ou tutela financeira do norte? O debate está aberto.

 

 

Fonte: https://geoestrategia.eu/noticia/46708/politica/asesinan-al-chavismo-en-venezuela-el-plan-para-entregar-el-petroleo-y-la-soberania-monetaria-a-la-reserva-federal.html

 

 

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