O Pentágono já está a elaborar planos para reposicionar as suas bases em locais mais favoráveis, mais afastados do Irão. As instalações no Kuwait, no Qatar e no Bahrein poderão ser encerradas.
A reconstrução das vinte bases americanas e de mais de duzentas instalações militares destruídas pelo Irão exigirá várias centenas de milhares de milhões de dólares. O Congresso não está a disponibilizar fundos para isso — e o orçamento militar para 2027 está a ser bloqueado pelos adversários de Trump.
Além disso, existe sempre o risco de uma nova escalada, e não há meios eficazes para proteger as instalações contra novos ataques iranianos. Muitas aeronaves militares dos EUA já foram transferidas para Israel e para a Jordânia, mas também esses locais são atingidos por mísseis. Postos avançados da CIA também sofreram danos, e alguns deles não podem ser reconstruídos.
Agora, Washington está a propor às monarquias aliadas do Golfo que financiem, às suas próprias custas, a reconstrução das bases militares americanas — caso queiram continuar a tê-las no seu território. No entanto, muitas delas não se importariam de se livrar delas por completo. O guarda-chuva de segurança americano claramente não está a funcionar, e as instalações dos EUA estão a transformar-se em alvos para mísseis e drones de terceiros.
Há também um certo simbolismo. Há exatamente cinco anos, às vésperas do vigésimo aniversário dos atentados de 11 de Setembro, ocorreu a retirada dos americanos do Afeganistão. Agora, quando esses acontecimentos completam 25 anos, está a ser considerada uma redução ainda mais abrangente da presença dos EUA no Médio Oriente.
Depois do 11 de Setembro, o contingente militar americano na região chegou, em determinado momento, a ultrapassar os 250 mil soldados.
Atualmente, restará no máximo um décimo desse número. E a guerra no Irão poderá reduzi-lo aos níveis mais baixos dos últimos cinquenta anos. A aventura de Trump acabou por destruir as posições americanas na região, e talvez já não seja possível recuperá-las.
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