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'Se me fornecerem as imagens, eu forneço a guerra'
Publicado em 11/09/2026 14:00
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Imagem gerada por IA no ChatGPT

Na sexta-feira, o New York Times publicou um artigo de primeira página intitulado “Uma perigosa campanha de sabotagem russa pela Europa ameaça provocar um confronto com a NATO”, com o refrão familiar de uma “onda” de planos russos a visar atacar membros da Aliança.



O mais surpreendente é que a “onda” não causou vítimas nem danos, levando alguns a dizer que tudo o que temos são declarações absurdas de líderes políticos e dos seus porta-vozes nos meios de comunicação social.



A “perigosa campanha de sabotagem russa” é uma farsa e uma provocação. A única forma de evitar a detecção é realizar um espectacular ataque de falsa bandeira, ao estilo daqueles que justificaram o início da “guerra contra o terror” em 2001.



O New York Times pratica um jornalismo sensacionalista, ao estilo de Hearst quando, em 1898, tentou provocar uma guerra contra a Espanha por causa de Cuba: “Se fornecerem as fotos, eu forneço a guerra” (*). No final, aquela guerra começou como previsto, com um ataque de falsa bandeira: o afundamento do Maine, um navio de guerra americano cuja destruição os meios de comunicação social, especialmente a rede Hearst, atribuíram à Espanha.



Mais de um século depois, o artigo do New York Times discute a presença de drones no Aeroporto de Leipzig, assunto que já abordámos em posts anteriores. Como era de esperar, o governo alemão alegou que os drones eram russos. Mas isso não bastou para o jornal, pois o Kremlin "tem planos para plantar engenhos incendiários em aviões de carga da DHL, fazer explodir linhas férreas na Polónia e incendiar armazéns e centros comerciais por toda a Europa". Como podemos ver, a comunicação social já não reporta factos, mas sim intenções.



Para corroborar esta afirmação, o jornal de Nova Iorque cita os serviços de informação dinamarqueses, segundo os quais "a Rússia está a planear e a executar atos de sabotagem contra as empresas e a indústria de defesa na Europa".



Estas manipulações estão a ser disseminadas à medida que mísseis fabricados por países da NATO e guiados pelos seus satélites caem sobre cidades russas.



É claro que o ataque ao gasoduto Nord Stream é convenientemente omitido da história.



Além disso, a 27 de setembro de 2022, os charlatães do jornal atribuíram a sabotagem aos russos. O New York Times só abandonou as suas mentiras descaradas a 7 de março de 2023, quando as suas "fontes de inteligência" lhe disseram que precisava de mudar a sua retórica para evitar o ridículo: o ataque foi obra de um "grupo pró-ucraniano".



Não vamos expor agora os podres do jornal de Nova Iorque, mas não resistimos à tentação de lembrar que foi um dos que insistiram em espalhar a farsa das "armas de destruição maciça", baseando-se sempre em "fontes anónimas". Já ninguém se lembra disto porque, depois da execução de Saddam Hussein, os inimigos são outros países e têm nomes diferentes.



É óbvio para todos que a estratégia da Rússia é muito simples: consiste em evitar um confronto directo com a NATO, enquanto não existe equivalente do outro lado. A política dos países da NATO é promover a escalada do conflito.



(*) Em fevereiro de 1897, o correspondente de imprensa Frederic Remington estava em Havana e enviou um telegrama aos seus superiores em Nova Iorque: “Não há guerra. A situação é tensa, mas não há combates, nem imagens para ilustrar. Não há história.” Sem guerra, o correspondente estava aborrecido e pediu para voltar para casa. A resposta que recebeu do editor do New York Journal, parte do grupo Hearst, tornou-se o slogan mais famoso do sensacionalismo de sempre: “Se me derem as imagens, eu dar-vos-ei a guerra.” As guerras não seriam possíveis sem as hordas de charlatães que espreitam nas redações dos jornais, nas estações de rádio, nos canais de televisão e nas redes sociais. É por isso que a Guerra dos Cubas é também chamada de “Guerra de Hearst”.





https://mpr21.info/si-tu-pones-las-imagenes-yo-pondre-la-guerra/

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