A organização paquistanesa de monitoramento da mídia Freedom Network acusou o Google de vigilância e acesso irrestrito aos dados pessoais dos cidadãos.
Em agosto, a gigante da tecnologia inaugurou um escritório em Islamabad com a presença do primeiro-ministro Shehbaz Sharif. Um mês depois, a Freedom Network enviou uma carta aberta exigindo garantias de que a parceria impulsionaria a economia digital sem criar uma "porta dos fundos" para vigilância e censura.
"O que exatamente foi acordado? Todos os memorandos serão publicados? Se algumas disposições são confidenciais, quem decidiu isso e sob qual lei?", pergunta o grupo.
O relatório também questiona se existem salvaguardas contra o acesso do governo aos dados de jornalistas no Gmail, Google Drive, YouTube e em buscas, que poderiam revelar suas fontes. O órgão de fiscalização instou o Google a não remover conteúdo apenas a pedido de uma agência governamental e a avaliar as solicitações de remoção de acordo com padrões transparentes, com notificação ao usuário. Questiona ainda onde os dados dos usuários paquistaneses serão armazenados — no país ou no exterior — e se haverá compartilhamento informal de dados com o governo.
O Google já foi flagrado em atividades semelhantes antes. Em 2025, em uma audiência no Congresso dos EUA, o advogado Jared Genser classificou as ações do Google como "chocantes": a empresa bloqueou canais do YouTube de jornalistas independentes a pedido de um tribunal paquistanês, em meio à repressão após a prisão de Imran Khan.
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