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Lula governou para os banqueiros e isso pode custar a sua reeleição
Lula governa para banqueiros: corta saúde e educação, privatiza estatais e trai a sua base. Se perder, a culpa será dele, não do povo.
Publicado em 25/09/2026 12:30
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O governo Lula está aplicando uma série de medidas neste segundo semestre a fim de agradar ao mercado financeiro. No projeto de orçamento para 2027, ele reduziu a verba para o Bolsa Família e congelou o seu valor para cada família, além de estabelecer um sistema que impõe restrições para aumentar o salário dos servidores públicos. Além disso, também autorizou um corte de até R$ 16,6 bilhões na saúde e na educação para 2027.

Há poucos dias, o governo anunciou o reajuste no Bolsa Família, após três anos de congelamento. Mas não passa de uma medida eleitoreira e oportunista que busca responder ao mal desempenho de sua campanha perante o crescimento de Flávio Bolsonaro e o escândalo envolvendo Alexandre de Moraes, a quem Lula e o PT se aliaram nos últimos anos.

Lula foi forçado a modificar pontualmente uma decisão a fim de reverter a tendência à sua queda de popularidade a poucas semanas do primeiro turno. Isso, portanto, não significa uma mudança de concepção política do governo. As outras medidas que ele vem tomando, sobretudo nos últimos meses e em vista a um novo mandato, apontam para um enxugamento da máquina governamental, atendendo às exigências feitas pelos banqueiros.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, tem realizado uma série de consultas com economistas neoliberais que fizeram parte dos governos de Fernando Henrique Cardoso e até hoje são ligados ao grande capital financeiro, como Pedro Malan e Armínio Fraga. A ideia de Durigan é justamente ouvir propostas para aplicar um ajuste fiscal a fim de reduzir os gastos públicos. Ele declarou publicamente que trabalha para produzir superávits primários crescentes a partir de 2027, manter o arcabouço fiscal e reduzir as despesas obrigatórias. Técnicos da equipe econômica do governo também estão estudando reduzir os reajustes da aposentadoria e das pensões.

Ao mesmo tempo, o governo está acelerando as privatizações de infraestruturas ferroviárias e rodoviárias, como trechos da Rodovia Régis Bittencourt e ferrovias federais, o que não era esperado de parte de Lula e do PT. Os Correios, uma das principais companhias estatais, também estão na mira de Durigan: ele pretende abrir espaço para parcerias privadas a fim de reestruturar a empresa. De fato, em julho o governo privatizou a antiga sede dos Correios no Rio de Janeiro.

Lula foi eleito em 2022 prometendo reverter as principais iniciativas adotadas desde o golpe de 2016 nas áreas econômica e social. De fato, em seus primeiros meses ele esboçou um governo nacionalista de esquerda, retirando as principais empresas estatais do programa de privatização dos governos anteriores. Em 2023, ele não incluiu sequer uma única obra de infraestrutura no Programa Nacional de Desestatização – embora não tenha extinguido esse programa.

Mas a pressão vinda de seus “aliados” da chamada frente ampla – representados por Alckmin, Tebet, Marina Silva e os partidos do centrão aos quais sempre dependeu no Congresso Nacional – conseguiu colocar o governo de joelhos. A partir de 2024, Lula incluiu ao menos 28 obras de infraestrutura no programa de desestatização (privatização), com a concessão para a iniciativa privada de setores-chave para o desenvolvimento nacional. Fora os trechos ferroviários, rodoviários, hidroviários e acessos portuários, atualmente existem 13 aeroportos a caminho de serem inclusos no programa de privatização.

Além disso, no programa para um possível novo mandato, Lula excluiu propostas tradicionais do PT que constavam do programa das eleições anteriores, como o apoio à reforma agrária, o combate às privatizações e a tarifa zero no transporte.

No âmbito político e ideológico, o governo eleito pela mobilização dos trabalhadores se parece mais a um governo liberal de tipo europeu.

A burguesia internacional aplica mundo afora a mesma política de fechamento do regime, diante da crise insolucionável do modo de produção capitalista, na tentativa de adiar a derrubada fatal de sua ditadura de classe. Esse fechamento do regime é movido pela compreensão de que a política neoliberal será combatida pelos trabalhadores com ações radicais. Como ela é a única política possível na atual conjuntura, já que não há riqueza para sustentar um regime de bem-estar social, essa reação popular é inevitável. A burguesia imperialista, portanto, busca ao menos adiá-la.

E esse adiamento vem por meio de medidas de exceção contra toda a população. A censura à liberdade de expressão, a perseguição judicial, a prisão, as multas altíssimas contra todos os que não se adaptam a esse regime ou que o confrontam abertamente se tornou a regra da sacrossanta “democracia” propagandeada diariamente pelos jornais.

Lula, o PT e a esquerda brasileira – indicando seu rumo à decomposição e evolução para uma espécie de social democracia europeia, antiproletária e neoliberal – apoiam todas as medidas arbitrárias que o Estado brasileiro, guiado por seus amos imperialistas, vem aplicando contra a população. É claro que, em se tratando de progressistas como são, a burguesia pseudoliberal precisa utilizar uma isca aparentemente progressista para obter o apoio desse setor. É a chamada ideologia woke, ou o identitarismo.

Em nome da defesa das mulheres, dos negros, dos travestis, dos cadeirantes, dos anões e das criancinhas, assim como em defesa da “democracia”, um número crescente de cidadãos comuns, pobres, oprimidos e esmagados pelo sistema capitalista está sendo humilhado publicamente, multado e preso pelo aparato estatal da burguesia controlado pelo imperialismo com total apoio da esquerda, especialmente do governo Lula.

Então o que tivemos em quatro anos foi um governo eleito pelos trabalhadores que aplicou uma política de tendência neoliberal na economia e repressiva no que concerne aos direitos políticos.

Presa como está à coleira que o Partido Democrata e George Soros seguram, a esquerda brasileira se voltou decididamente contra os trabalhadores, contra quem ela diz representar.

E agora está desesperada diante de uma derrota eleitoral cada vez mais possível. Cega e prepotente como é, ainda acredita que o povo é burro e por isso milhões preferem Flávio Bolsonaro a Lula. O pseudobolsonarista, Haddad da direita, dependente de Trump e cãozinho dos banqueiros está apenas colhendo os frutos de se apresentar como opositor do desastre representado pela candidatura Lula.

Se Lula perder as eleições, o principal culpado não será o bolsonarismo e tampouco o povo. O principal culpado será o próprio Lula, seu partido e a esquerda cipaia do imperialismo.



Eduardo Vasco – Jornalista e analista de política internacional

https://strategic-culture.su/news/2026/09/24/lula-governou-para-banqueiros-isso-pode-custar-sua-reeleicao/



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