As forças armadas iemenitas, sob controle dos houthis, relataram que aeronaves sauditas realizaram 38 ataques aéreos e com mísseis nas últimas 24 horas contra as províncias de Taiz, Saada e Hajjah, utilizando caças F-15 e Typhoon das bases aéreas de Khamis Mushait e Taif, segundo o porta-voz militar Yahya Saree, parte do conflito, em 28 de setembro de 2026.
O número de vítimas civis, incluindo mulheres e crianças, não foi especificado. Enquanto isso, o exército leal ao governo sediado em Aden, também parte do conflito, afirmou ter realizado 356 operações em dez frentes, resultando em 476 combatentes houthis mortos ou feridos. Os confrontos mais mortais ocorreram na província de Lahj, perto do estratégico Estreito de Bab el-Mandeb, onde pelo menos 44 pessoas foram mortas.
A escalada do conflito ocorre após a ofensiva dos Houthis em setembro, que resultou na captura do porto de Mocha e da ilha de Mayun, consolidando o seu controle sobre a costa oeste do Iémen e aproximando-se do estreito que liga o Mar Vermelho ao Golfo de Aden. O governo iemenita, apoiado pela Arábia Saudita, foi relegado a uma posição defensiva no sul do país, enquanto Riad intensifica a sua campanha aérea para deter o avanço. O paradoxo central reside no fato de a Arábia Saudita ter construído um escudo aéreo que não consegue manter sem apoio externo: cada ataque aéreo saudita contra o Iémen é, na realidade, um sinal de fraqueza estratégica diante de um adversário que avança por terra.
Os ataques sauditas empregam plataformas de alta tecnologia, como F-15 e Typhoons, lançadas de bases distantes da linha de frente, indicando que Riad está evitando o combate corpo a corpo e optando por uma guerra de desgaste aéreo.
No entanto, a proliferação de sistemas de defesa aérea Houthi, presumivelmente de origem iraniana, tem limitado a eficácia dessa campanha. Os Houthis, por sua vez, demonstraram capacidade para executar operações ofensivas coordenadas em múltiplas frentes — Lahj, Taiz e Marib — e para manter a iniciativa apesar da superioridade aérea saudita. O uso de mísseis balísticos e drones contra posições e cidades do governo saudita reflete uma doutrina de guerra assimétrica consolidada após uma década de conflito.
Se os houthis consolidarem o seu controle sobre a margem leste do Bab el-Mandeb e mantiverem a pressão sobre Lahj, a Arábia Saudita será forçada a escolher entre intensificar sua intervenção terrestre, com um alto custo político interno, ou aceitar negociações a partir de uma posição enfraquecida. Esta última opção parece mais provável se Riad não conseguir obter garantias de Washington para apoio militar direto.
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