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O Transe Hipnótico da TV: Aplaudir a guerra até ao fim a partir do sofá
Em virtude de 2 ou 3 "contactos irrisórios e surrealistas", tanto de conhecidos como de desconhecidos, relembrei-me de algo que já tinha pensado há 4 anos e meio ....
Por Administrador
Publicado em 05/10/2026 12:00
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Quando o acordo de paz de Istambul foi abrupta e dolosamente sabotado - com a viagem repentina de Boris Johnson e a encenação mediática em Bucha - já existia um draft de entendimento alinhavado e confirmado publicamente tanto pelos negociadores russos como pelos ucranianos.

Naquelas semanas de primavera de 2022, a neutralidade da Ucrânia e as garantias internacionais de segurança estiveram em cima da mesa, validadas por ambas as delegações na Turquia como uma saída viável para evitar uma tragédia maior.
Contudo, o diktat de Londres e de Washington prevaleceu, preferindo alimentar uma guerra de desgaste geopolítico do que permitir um compromisso de paz.

Em Portugal, a resposta a este ponto de viragem foi o alinhamento acrítico e uma espécie de transe coletivo.

O espaço mediático converteu-se num tribunal de pensamento único, onde qualquer apelo à diplomacia é rotulado de traição, enquanto o cidadão comum aplaude o envio de armas a partir do sofá.

É o paradoxo perfeito de uma solidariedade abstrata que aceita o empobrecimento próprio, a inflação e a crise, hipotecando o futuro da Europa para sustentar uma retórica belicista que consome, no terreno, as vidas do próprio povo que se diz defender.

Ignora-se, com uma leviandade assustadora, que o próprio slogan adotado acriticamente como símbolo de virtude carrega, na sua génese, um peso histórico criminoso ligado a passados colaboracionistas bem sombrios.

Diante deste cenário, ocorreu-me, precisamente na primavera de há quatro anos, um pensamento igualmente sombrio: queres ver que os portugueses vão continuar a entoar cegamente o brado Slava Ukraini até ficarem sem absolutamente nada, reduzidos a uma casa vazia com apenas um sofá e uma televisão, mas defendendo sempre a guerra até ao último ucraniano?
Oxalá esteja redondamente enganado.



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