
RESUMO DO DIA
Golfo: Irã, Arábia Saudita, Turquia e Paquistão abrem reunião quadrilateral em Teerã sobre segurança regional; coalizão abate três mísseis balísticos contra a Província Oriental; explosões atingem base aérea de Hail e voos são suspensos em Dammam.
Ucrânia: Duas ondas balísticas russas somam cerca de 20 mísseis contra Kiev, com CHP-5 atingida e Ponte Sul de Kiev fechada; Ucrânia dispara dois interceptadores e não abate nenhum; Pentágono retém Patriots e NASAMS há quase um mês; defesa russa abate 222 drones ucranianos.
Sistema Internacional: Israel vota com 7,3 milhões de eleitores e nenhum bloco favorito; Hebron ultrapassa 2 mil deslocados e a ONU critica uso desproporcional da força; Flávio Bolsonaro tem passaportes recolhidos por ordem do Supremo; Trump chama a eleição brasileira de fraudada.
Economia: Gás europeu sobe 3,3% e supera€97, maior nível desde dezembro de 2022; Brent a$116,37e WTI a$102,36; ouro recupera$4.015; dólar recua aR$ 5,37; o Federal Reserve decide nesta quarta-feira.
GUERRA RUSSO-UCRONIANA
Ataques Russos: Entre o dia e a noite de segunda-feira, as forças russas conduziram ataques com todo o espectro de meios sobre alvos no Donbas e nas regiões de Sumy, Kharkiv, Zaporizhzhia, Dnipropetrovsk e Kherson. Em Kiev, o alvo declarado foi a Companhia Estatal de Televisão e Radiodifusão, e nas regiões de Vinnytsia, Zhytomyr, Ivano-Frankivsk, Kiev, Odessa, Rivne, Khmelnytskyi, Cherkasy e Chernihiv os ataques foram executados com drones Shahed. Na madrugada desta terça-feira, uma segunda onda balística atingiu a capital com cerca de 12 mísseis, a maioria Iskander-M, incluindo ao menos um S-400 modificado do tipo RM-48U, somando aproximadamente 20 mísseis no total. Os alvos foram a central termelétrica CHP-5, no sul de Kiev, atingida por cerca de cinco Iskander-M e um S-400, o distrito de Dniprovsky, no leste da capital, com cerca de quatro Iskander-M, e o distrito de Podilsky, no norte, com cerca de dois Iskander-M. A Ponte Sul de Kiev foi atingida e fechada, e a infraestrutura do metrô sofreu danos, com trens da linha verde operando em trechos isolados entre as estações Syrets e Vydubychi e entre Osokorky e Krasny Khutor, segundo a administração militar da cidade. O prefeito Vitali Klitschko afirmou que os problemas são significativos, que a linha verde foi afetada em toda a sua extensão e que a inspeção em curso definirá em breve o prazo de interrupção do trânsito e do serviço. O ponto mais relevante do dia no plano militar é o resultado da defesa: a Ucrânia disparou dois interceptadores, que não eram Patriots, e não obteve nenhum abate. Essa combinação, com vinte mísseis balísticos em duas ondas e dois interceptadores empregados, é a primeira demonstração pública e verificável de que a suspensão de entregas americanas de interceptadores se traduz em perda efetiva de capacidade.
Ataques Ucranianos: Um ataque com drones ucranianos no distrito de Bezhitsky, na região russa de Bryansk, matou um homem e feriu seis pessoas, segundo o governador Egor Kovalchuk, com o óbito ocorrido após a detonação de um tubo explosivo lançado por um veículo aéreo não tripulado. Três blocos de apartamentos e onze automóveis ficaram danificados, e equipes de engenharia do Ministério da Defesa russo atuavam no local. A defesa aérea russa afirmou ter destruído 222 drones ucranianos sobre regiões russas durante a noite, número de fonte oficial que não pode ser verificado de forma independente. As forças ucranianas também atingiram, segundo relatos de imprensa de defesa, um depósito de munição na região ocupada de Luhansk.
Rússia/Estados Unidos/Ucrânia: O envio de interceptadores para os sistemas americanos e noruegueses de defesa aérea está parado há quase um mês, segundo o presidente Volodymyr Zelensky, que atribuiu a decisão ao secretário de Defesa americano, Pete Hegseth. Em declaração pública, o presidente ucraniano resumiu o balanço do período afirmando que sanções foram aliviadas, mas ninguém forneceu mísseis adicionais para os sistemas Patriot, e que na questão do Starlink, em vez de ampliar o acesso, as velocidades de conexão foram reduzidas mesmo nos sistemas existentes, concluindo que o país luta por sua sobrevivência. A informação deixou de ser alegação política nesta terça-feira, porque a ausência de Patriots na primeira linha de defesa foi confirmada pelos próprios dados do ataque.
EUA/Ucrânia: O Instituto para o Estudo da Guerra registrou que, entre 14 e 24 de outubro, a taxa de intercepção de drones a jato caiu de 77% para 74% em meio aos relatos de limitações impostas ao Starlink e ao Starshield. A análise sustenta que os drones interceptadores permanecem um dos meios mais eficazes contra esse tipo de alvo, mas exigem comunicação satelital estável para operar em alta velocidade, o que significa que a restrição do sistema americano tem efeito mensurável sobre o desempenho da defesa aérea ucraniana.
EUA/Ucrânia: Durante reunião com uma delegação ucraniana em Miami, o enviado americano Steve Witkoff exigiu que o chefe da inteligência militar ucraniana, Kyrylo Budanov, interrompesse os ataques a refinarias de petróleo na Rússia, segundo o jornal Le Monde, o que teria provocado atrito entre os dois. O episódio revela que Washington passou a restringir não apenas o fluxo de armas, mas também a escolha de alvos pela Ucrânia, precisamente no setor que mais afeta a receita russa de exportação.
Rússia/Ucrânia: A trégua humanitária de Oleshky entrou em vigor às 3h no horário de Kiev, equivalente a 1h pelo horário de Greenwich e 4h em Moscou. O Ministério da Defesa russo informou que suspendeu os bombardeios na direção da cidade de Kherson a partir daquele horário, e o ombudsman ucraniano Dmytro Lubinets confirmou o regime de silêncio nas áreas designadas relativas à missão humanitária, que prevê entrega de ajuda e retirada de civis que desejarem sair. A Casa Branca havia informado na sexta-feira que a primeira-dama Melania Trump atuou como intermediária exclusiva para fechar o acordo localizado. A cidade enfrenta escassez de alimentos, medicamentos e água potável, acesso limitado à eletricidade, estradas minadas e ataques recorrentes, segundo comunicado americano.
Ucrânia: O ceticismo interno sobre o acordo é o elemento que a imprensa ucraniana destacou ao longo do dia. Analistas lembram que a Rússia usou Oleshky como posição defensiva central durante mais de quatro anos, que a cidade sofre ofensivas contínuas de drones que impedem a entrada de suprimentos desde maio e que existe dúvida sobre a viabilidade prática de evacuar um ponto tão exposto na margem esquerda do Dnieper. A cronologia desta terça-feira reforça essa leitura, porque a segunda onda balística sobre Kiev ocorreu poucas horas depois do início do regime de silêncio.
Rússia: O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que as conversações trilaterais não restringirão a ação militar de nenhum dos lados. A declaração é coerente com o que ocorreu no terreno nesta madrugada e retira antecipadamente qualquer expectativa de que a rodada de novembro em Abu Dhabi produza alívio operacional imediato.
Eslováquia: O chanceler Juraj Blanar declarou que o país está pronto para servir de plataforma para negociações preparatórias sobre a Ucrânia, afirmando que Bratislava apoia a paz e a resolução diplomática do conflito e está disponível para dialogar com todas as partes.
União Europeia/Ucrânia: Bruxelas discute um pacote de cerca de 45 bilhões de euros para cobrir o rombo orçamentário de Kiev até 2027, com a opção de empréstimo respaldado pelo orçamento atual como a mais provável, e os líderes pretendem fechar o acordo antes do fim do ano. Em paralelo, o déficit ucraniano de 70 bilhões de euros previsto para 2027 passou a condicionar a negociação do próximo orçamento plurianual do bloco, com resistência da Hungria.
3ª GUERRA DO GOLFO
Irã/Arábia Saudita/Turquia/Paquistão: Começou em Teerã uma reunião quadrilateral entre delegações de Irã, Arábia Saudita, Turquia e Paquistão, com foco em segurança regional, nas atividades de Israel na região e nos desdobramentos na Palestina e no Líbano. O encontro é hospedado pelo secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano, Mohsen Rezaei, e reúne o presidente Masoud Pezeshkian e o chanceler Abbas Araghchi pelo Irã, o diretor da Organização Nacional de Inteligência turca, Ibrahim Kalin, o ministro da Defesa saudita, príncipe Khalid bin Salman, e o chefe do Estado-Maior do Exército paquistanês, Asim Munir. A composição é o dado central do dia, porque reúne em uma mesma mesa de segurança o eixo sunita do Golfo e o Paquistão, que é potência nuclear, sob mediação iraniana e sem a presença de Estados Unidos ou de Israel. Se o formato produzir mecanismo permanente, passa a existir uma arquitetura regional de segurança paralela à americana.
Arábia Saudita/Iêmen: A coalizão liderada por Riad afirmou ter interceptado e destruído três mísseis balísticos lançados pelos houthis contra a Província Oriental, sem especificar alvos pretendidos, vítimas ou danos. Na segunda-feira, a mesma coalizão informou ter abatido três drones sobre a região de Riad e o sul do país.
Arábia Saudita: Várias explosões atingiram a Base Aérea Sultan bin Abdulaziz, na região de Hail, ao norte de Riad, e alarmes de defesa aérea foram acionados na Província Oriental e em Hail, segundo a agência iraniana ISNA e a Al-Jazeera. A Defesa Civil saudita informou que a ameaça imediata foi neutralizada, e o Aeroporto Internacional Rei Fahd, em Dammam, suspendeu os voos após o incidente.
Arábia Saudita: A Saudi Aramco controlou um incêndio que deflagrou nas proximidades do complexo petrolífero de Ras Tanura após um ataque, segundo a Bloomberg. Ras Tanura é o maior terminal de exportação de petróleo do reino.
Arábia Saudita/Cingapura: Cingapura e a Saudi Aramco planejam armazenar petróleo bruto saudita nas cavernas subterrâneas de Jurong a partir de 2027, para reforçar a segurança energética em meio a interrupções globais de abastecimento, segundo anúncio do ministro de Energia, Comércio e Indústria de Cingapura, Tan See Leng.
Iêmen/Houthis: O movimento afirmou ter atacado estações de bombeamento do oleoduto Leste-Oeste e o aeroporto de Riad, sem confirmação imediata das autoridades sauditas.
Irã/EUA: O Irã acusou os Estados Unidos de não levarem as negociações a sério e afirmou que Washington confunde repetidamente diplomacia com imposição de exigências a Teerã. A Agência Marítima britânica UKMTO informou que uma embarcação pegou fogo a 63 milhas náuticas da costa do Iraque.
Omã: O ministro das Relações Exteriores, Badr Albusaidi, defendeu que qualquer estrutura de segurança para o Golfo deve incluir o Irã, posição que agora encontra eco no formato quadrilateral aberto em Teerã.
Irã: O Exército iraniano afirmou ter abatido e destruído um drone americano do tipo Lucas sobre a cidade portuária de Bandar Abbas, segundo a agência semioficial Tasnim.
Irã/Rússia: O presidente Masoud Pezeshkian partirá para a Rússia para participar de cúpula de países exportadores de gás em Moscou e manter conversações com o presidente Vladimir Putin, segundo a Tasnim.
Israel/Irã: O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu enfatizou na véspera da eleição sua relação estreita com o presidente Donald Trump e insinuou a possibilidade de retomar a ação militar contra o Irã caso seja reeleito.
Israel/Líbano: O Exército israelense mantém o alerta elevado e a mobilização de dezenas de milhares de soldados em várias áreas do país, em preparação para possíveis lançamentos de mísseis a partir do Irã ou do Líbano, em paralelo às conversas militares com delegações libanesas mediadas pelos Estados Unidos em Tampa, na Flórida.
SISTEMA INTERNACIONAL
Américas
Brasil: O senador Flávio Bolsonaro informou nesta segunda-feira que o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou a entrega de seus passaportes e o proibiu de deixar o país, decisão que eleva a contestação ao plano institucional e ocorre depois de o partido ter reconhecido formalmente a vitória do presidente reeleito.
Brasil/EUA: O presidente Donald Trump questionou a lisura da eleição brasileira e a descreveu como aparentemente fraudada e corrupta, sem apresentar qualquer evidência, ao mesmo tempo em que anunciou plano de pagar $1
milhão a quem denunciar fraude eleitoral em pleitos passados ou nas eleições de meio de mandato de 3 de novembro, desde que a informação leve à prisão e à condenação dos responsáveis.
Brasil/União Europeia: Altos funcionários da União Europeia parabenizaram o presidente Lula pela reeleição e se comprometeram a fortalecer a cooperação entre o bloco e o Brasil.
Brasil: O mercado registrou na segunda-feira a maior queda diária da Bolsa desde março de 2020, com o Ibovespa recuando 13,88%, aos 176.608 pontos, após acionamento de circuit breaker pela primeira vez desde 2020, e o dólar encerrando a R$
5,40, com pico intradiário de R$
5,60. O Banco Central e o Tesouro atuaram no mercado. Nesta terça-feira, o dólar recuou a R$
5,37, com baixa de 0,74%.
Venezuela: A líder da oposição e laureada com o Prêmio Nobel da Paz, María Corina Machado, declarou-se disposta a dialogar com a presidente interina Delcy Rodríguez após retornar ao país no domingo, encerrando quase um ano de exílio. Rodríguez classificou o retorno como um show, e a União Europeia saudou a volta e apelou a progressos rumo a eleições livres e justas.
Europa
Sérvia: A Lista Estudantil venceu as eleições parlamentares antecipadas com maioria absoluta, encerrando cerca de 14 anos de domínio de Aleksandar Vučić e do Partido Progressista Sérvio, que reconheceu a derrota antes da totalização. A China declarou estar pronta para trabalhar com o novo governo sérvio. A vitória abre expectativa de relançamento do caminho de adesão à União Europeia, enquanto a posição do novo governo sobre sanções à Rússia e sobre Kosovo permanece indefinida.
Espanha: A polícia deteve ao menos 19 pessoas durante distúrbios em Bilbao, segundo a RTVE. O primeiro-ministro Pedro Sánchez declarou confiança na vitória do Partido Socialista na eleição geral de 29 de novembro, apesar de pesquisas apontarem vantagem substancial da oposição de direita.
Alemanha: Os três principais serviços de inteligência do país planejam adotar um sistema de nuvem baseado em tecnologia do Google para trocar documentos classificados, segundo as emissoras públicas WDR e NDR.
Turquia: O presidente Recep Tayyip Erdogan convocou os que buscam excluir a Turquia do Mediterrâneo Oriental a respeitar a vontade conjunta de seu país e da Líbia. Em Ancara, o ministro da Defesa, Yasar Guler, e o chanceler Hakan Fidan receberam separadamente o primeiro-ministro da República Turca do Norte de Chipre, Ünal Üstel.
França: Estrasburgo instalou a árvore de Natal de 30 metros na praça Kléber em meio a forte tensão social, com o país ainda processando quase mil detenções nos protestos de sábado.
Suíça: O ministro das Relações Exteriores viajou a Pyongyang para reabrir o escritório diplomático suíço no país.
Grécia/Israel: Israel e a administração cipriota grega assinaram acordo para aquisição de uma nova embarcação de patrulha offshore equipada com sistemas navais avançados, segundo comunicado do Ministério da Defesa israelense.
Ásia
China/Coreia do Norte: O Ministério das Relações Exteriores da China reafirmou o compromisso de manter e desenvolver a cooperação amistosa com a Coreia do Norte, descrevendo a relação como diretriz estratégica firme do governo chinês.
China: Os lucros das principais empresas industriais chinesas cresceram 15,5% até setembro, em recuperação que contrasta com a fraqueza do consumo interno. Uma empresa chinesa rompeu contrato com o jogador Kylian Mbappé após comentários sobre memes de Mao Zedong.
China/União Europeia: Eurodeputados realizam visita oficial a Pequim para tratar das tensões comerciais com o bloco, em meio à revisão europeia de tarifas sobre veículos elétricos.
Japão/Coreia do Sul: Os mercados acionários dos dois países fecharam em forte alta, com o KOSPI subindo 3,09%, aos 5.638,35 pontos, e o Nikkei 225 avançando 1,73%, aos 63.268,37 pontos, impulsionados por semicondutores, com SK Hynix, Samsung Electronics e SoftBank entre os maiores ganhos.
Japão/Finlândia: Os dois países assinaram acordo de transferência de equipamentos e tecnologia de defesa, segundo o Ministério das Relações Exteriores japonês.
Japão: O ministro das Finanças, Katsunobu Kato, sinalizou disposição para adotar medidas decisivas no mercado cambial e afirmou acompanhar os movimentos com senso de urgência, em referência à fraqueza do iene.
Coreia do Sul/EUA: O ministro das Relações Exteriores, Cho Hyun, afirmou que Seul e Washington estão gradualmente chegando a consenso sobre cronograma e detalhes da transferência do controle operacional em tempo de guerra, hoje sob responsabilidade das forças americanas.
África
Nigéria/Turquia: Empresas turcas de defesa participam da Feira Internacional de Defesa da África de 2026, em Lagos, para apresentar capacidades tecnológicas.
Rússia/África: O assessor do Kremlin, Yuri Ushakov, informou que o comércio entre Rússia e países africanos ultrapassou $27
bilhões em 2025, com a agricultura como área central, e que Moscou exportou 1,5 milhão de toneladas de fertilizantes minerais ao continente no ano, com meta acima de 2,2 milhões. A declaração antecede a Cúpula Rússia-África de 28 e 29 de outubro em Moscou.
República Democrática do Congo: O surto de Ebola causado pelo vírus Bundibugyo alcançou 9.847 casos confirmados e 4.761 mortes até 25 de outubro, com taxa de letalidade de cerca de 48%, dos quais 9.816 casos e 4.757 mortes no território congolês. A epidemia atinge oito províncias e 64 zonas de saúde.
África Ocidental: A Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) e a Aliança dos Países do Sahel mantêm consultas para proteger o comércio transfronteiriço e as vias de transporte. A Argélia aprovou o envio de uma unidade do Exército ao Níger.
Oriente Médio
Israel: O país vota nesta terça-feira para a 26ª legislatura, a primeira eleição desde os ataques de 7 de outubro de 2023, com mais de 7,3 milhões de eleitores aptos a escolher os 120 membros do Knesset. As seções abriram às 7h e fecham às 22h no horário local, com 12.018 locais de votação, cerca de 18 mil urnas e aproximadamente 100 mil mesários mobilizados. Trinta e sete partidos e listas concorrem, e são necessários ao menos 61 assentos para formar coalizão. Os principais concorrentes são o Likud, do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, o Yashar, do ex-chefe do Estado-Maior Gadi Eisenkot, e a aliança Together, do ex-primeiro-ministro Naftali Bennett. Os líderes da oposição, Avigdor Lieberman e Eisenkot, convocaram comparecimento massivo para encerrar a era Netanyahu. As primeiras pesquisas de boca de urna saem após o fechamento.
Israel/Cisjordânia: A ofensiva israelense em Hebron ultrapassou 2 mil palestinos deslocados à força desde sexta-feira, segundo a alta comissária da ONU para os direitos humanos, que pediu o fim do uso desnecessário e desproporcional da força na cidade ocupada. O chefe do Estado-Maior, Eyal Zamir, teria defendido o encerramento da operação diante dos resultados táticos limitados e da pequena quantidade de armas encontrada, em atrito direto com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que sustenta a continuidade.
Israel/Gaza: O Exército israelense incendiou um acampamento de deslocados no leste da Cidade de Gaza, deixando mais de 800 palestinos sem abrigo, segundo o Ministério de Obras Públicas e Habitação de Gaza.
Jordânia: A Direção de Segurança Pública prendeu três suspeitos do ataque contra a igreja ortodoxa grega de São Jorge, em Hammud, na província de Karak, elevando o balanço para nove mortos e mais de vinte feridos. O primeiro-ministro Jafar Hassan classificou o ataque como terrorista e de inspiração extremista, e o reino mantém três dias de luto nacional.
Jordânia/Síria: A Força Aérea jordaniana bombardeou o que descreveu como esconderijos de militantes no sul da Síria, com sete mortos nas áreas rurais de Daraa e Sweida, entre eles três crianças e uma mulher. A Síria fechou o posto fronteiriço de Nasib, suspendendo o tráfego de passageiros e comercial em ambas as direções.
Organismos Internacionais
ONU: A administração Trump passou a articular nos bastidores a candidatura do ex-primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán ao cargo de secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), com Rússia e China descritas como receptivas, segundo o The Wall Street Journal. A candidatura ainda não foi discutida formalmente no Conselho de Segurança, e a nomeação exige ao menos nove votos entre os quinze membros, sem veto de nenhum dos cinco permanentes.
ONU: A alta comissária para os direitos humanos pediu o fim do uso desnecessário e desproporcional da força por Israel em Hebron, ampliando a pressão institucional sobre a operação no mesmo dia da eleição israelense.
União Europeia: O Conselho de Energia reúne-se em 29 de outubro, em Luxemburgo, para discutir a proposta de regulamento sobre tarifas de rede, com o objetivo de blindar as contas de eletricidade dos consumidores. A pauta ocorre no dia em que o gás europeu atingiu o maior preço desde 2022.
AIE: O diretor-executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, mantém a advertência de que a crise energética global pode persistir até 2027 e de que a vida não será fácil para a Europa neste período.
AIEA: A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) segue com a posição de que está pronta para verificar as atividades nucleares iranianas e de que a maior parte dos preparativos técnicos está concluída, condicionando o avanço a decisão política.
ECONOMIA
O gás natural europeu subiu 3,3% e superou €97 por megawatt-hora, alcançando o maior nível desde dezembro de 2022, com os futuros cotados a €97,15 no início do dia. A causa imediata é a queda de cerca de 80% ano a ano nos fluxos de gás natural liquefeito provenientes do Golfo Pérsico, região que respondia por quase um quinto da oferta global. O patamar repassa diretamente para a indústria e para a conta residencial às vésperas do inverno.
O petróleo opera em leve alta depois da correção da véspera, com o Brent a $116,37 o barril, alta de 0,48%, e o WTI a $102,36, alta de 0,59%, segundo os referenciais de mercado, com divergência entre fontes quanto aos níveis intradiários da sessão asiática. O acumulado do mês chega a 18,95% para o Brent e a 10,54% para o WTI, com alta de 82,31% em doze meses. A explicação do movimento está na sobreposição de três informações do dia, com o incêndio controlado pela Saudi Aramco nas proximidades de Ras Tanura, a suspensão de voos no Aeroporto Internacional Rei Fahd em Dammam e a confirmação de que a trégua de Oleshky não reduziu a intensidade dos ataques em outras regiões da Ucrânia.
O ouro recuperou o patamar de $4.000 e opera próximo de $4.015 por onça, após tocar mínimas desde julho na semana anterior. O movimento resulta da queda do petróleo na véspera, que aliviou temporariamente as expectativas de inflação, e de compras de oportunidade no suporte técnico, com o mercado à espera do índice PCE em 29 de outubro.
O dólar recuou ante o real e o par fechou a R$
5,37, com baixa de 0,74%, após o pico de R$
5,60 na sessão anterior. O índice do dólar perdeu força com o recuo dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano, e o iene segue pressionado, com o ministro das Finanças do Japão sinalizando disposição para intervir. As bolsas asiáticas fecharam em alta, com KOSPI a 5.638,35 pontos e Nikkei a 63.268,37, sustentadas por semicondutores.
No mercado de capitais, a Anthropic protocolou o prospecto de abertura de capital com meta de avaliação entre $1,5
trilhão e $1,75
trilhão, depois de informar aos investidores que a receita do terceiro trimestre avançou cerca de 50% em relação ao trimestre anterior, para $16,8
bilhões, com lucro em base ajustada.
A decisão do Federal Reserve em 28 de outubro concentra a atenção da semana, com expectativa de manutenção da taxa na faixa de 3,75% a 4,00% e probabilidade superior a 90% atribuída pelo mercado à pausa. A Natixis projeta que três dirigentes votarão pela alta de 25 pontos-base, o que produziria dissidência tripla. O Banco do Japão decide em 29 e 30 de outubro, e o PCE sai no dia 29.
ANÁLISE GRU!
A Guerra Russo-Ucraniana produziu nesta terça-feira a primeira demonstração pública de que a trégua localizada e a degradação da defesa aérea são processos simultâneos e independentes. Às 3h de Kiev, o regime de silêncio entrou em vigor em Oleshky, com confirmação do Ministério da Defesa russo e do ombudsman Dmytro Lubinets. Poucas horas depois, uma segunda onda de cerca de doze mísseis balísticos, a maioria Iskander-M, incluindo um S-400 modificado, atingiu a capital, somando aproximadamente vinte mísseis em duas ondas. Os alvos são a parte mais reveladora: a central termelétrica CHP-5 no sul de Kiev, o distrito de Dniprovsky no leste e o distrito de Podilsky no norte, além da Companhia Estatal de Televisão e Radiodifusão. Não se trata de saturação indiscriminada, e sim de uma sequência que combina geração elétrica, infraestrutura de transporte e capacidade de transmissão, o que produz efeito prolongado sobre a cidade mesmo quando o número de mísseis é modesto comparado às campanhas anteriores. A Ponte Sul foi fechada, a linha verde do metrô opera em trechos isolados e Klitschko classificou os problemas como significativos.
O dado que muda a leitura é a defesa. A Ucrânia disparou dois interceptadores, que não eram Patriots, e não obteve nenhum abate. Com vinte mísseis balísticos em duas ondas e dois interceptadores empregados, a informação de que o envio de interceptadores para Patriot e NASAMS está parado há quase um mês, atribuída por Zelensky ao secretário de Defesa americano, deixa de ser alegação política e passa a ter confirmação operacional. O mesmo raciocínio vale para o dado do Instituto para o Estudo da Guerra, segundo o qual a taxa de intercepção de drones a jato caiu de 77% para 74% entre 14 e 24 de outubro em meio às restrições ao Starlink e ao Starshield. E o terceiro elemento fecha a cadeia, com a exigência do enviado americano em Miami de que o chefe da inteligência militar ucraniana interrompesse os ataques a refinarias russas. Somados, os três fatos compõem uma orientação coerente, que é reduzir simultaneamente a capacidade ucraniana de defender o céu e de atingir a receita russa, precisamente na janela em que se negocia o formato da mesa de novembro. O Kremlin, por sua vez, declarou explicitamente que as conversações trilaterais não restringirão a ação militar de nenhum dos lados, o que remove qualquer ambiguidade sobre a leitura russa do processo.
Golfo: A novidade estrutural do dia está no Oriente Médio, e ela não é militar. A reunião quadrilateral aberta em Teerã, com Irã, Arábia Saudita, Turquia e Paquistão, coloca na mesma mesa o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano, o ministro da Defesa saudita, o diretor da inteligência turca e o chefe do Estado-Maior paquistanês, com a pauta explícita de segurança regional, atividades de Israel, Palestina e Líbano. A composição é o dado mais importante desde o início da guerra, porque reúne o eixo sunita do Golfo e uma potência nuclear do sul da Ásia sob hospitalidade iraniana, sem Estados Unidos e sem Israel. Se o formato se institucionalizar, nasce uma arquitetura regional paralela à americana, exatamente o que Omã havia proposto ao defender que qualquer estrutura de segurança do Golfo inclua o Irã, e isso muda o custo de qualquer campanha futura contra Teerã. Ao mesmo tempo, a guerra contra a infraestrutura continua no terreno, com três mísseis balísticos houthis abatidos sobre a Província Oriental, explosões na base aérea de Hail, voos suspensos em Dammam e incêndio controlado nas proximidades de Ras Tanura. A leitura correta é que os mesmos atores que atacam a capacidade de exportação saudita estão sentados à mesa de Teerã, o que significa que o formato nasce como gestão de risco e não como cessar de hostilidades.
Israel: a eleição israelense entra em sua fase final com um dado que merece atenção. Mais de 7,3 milhões de eleitores, 12.018 locais de votação, cerca de 100 mil mesários e 37 listas concorrentes, com 61 assentos necessários para governar, e nenhum bloco com caminho claro para maioria. O elemento novo não está nas urnas. O chefe do Estado-Maior, Eyal Zamir, teria defendido o encerramento da operação de Hebron diante dos resultados táticos limitados, em atrito direto com Netanyahu, no mesmo dia em que a alta comissária da ONU para os direitos humanos pediu o fim do uso desnecessário e desproporcional da força e o número de deslocados ultrapassou 2 mil pessoas. A informação é a mais relevante do Levante porque revela que a maior intervenção israelense na Cisjordânia desde 1967 perdeu justificativa operacional e passou a ser sustentada por cálculo eleitoral, no dia da votação e no mesmo dia em que o Exército incendiou um acampamento de deslocados no leste da Cidade de Gaza, deixando mais de 800 palestinos sem abrigo. A Jordânia encerrou o ciclo iniciado no atentado de Karak com bombardeios no sul da Síria e a prisão de três suspeitos, e Damasco respondeu fechando o posto de Nasib, a principal via terrestre entre os dois países.
Europa: o gás natural subiu 3,3% e superou €97 por megawatt-hora, maior nível desde dezembro de 2022, com os fluxos de gás natural liquefeito do Golfo Pérsico cerca de 80% abaixo do ano anterior. Essa é a variável que explica, ao mesmo tempo, os protestos que varreram 12 países no fim de semana, as quase mil detenções na França, os 19 presos em Bilbao e a urgência de Bruxelas em aprovar um regulamento de tarifas de rede em 29 de outubro. A conta energética é o elo entre as ruas e a mesa de negociação, porque quanto mais caro o gás, menor a margem política para sustentar sanções à Rússia e para recusar a volta do insumo que o plano americano oferece. Na Sérvia, a Lista Estudantil encerrou 14 anos de Vučić e reabriu a perspectiva de adesão à União Europeia, com a China declarando disposição de trabalhar com o novo governo, o que mostra que a alternância em Belgrado não resolve automaticamente a disputa de orientação estratégica. E a Alemanha, na mesma semana, decidiu migrar o compartilhamento de documentos classificados de seus três serviços de inteligência para uma nuvem baseada em tecnologia do Google.
Economia: o gás europeu está no maior nível desde 2022, o Brent acumula alta de 18,95% no mês e de 82,31% em doze meses, o ouro recuperou$4.015e o mercado atribui mais de 90% de probabilidade de o Federal Reserve manter a taxa em 3,75% a 4,00% em 28 de outubro, com três dirigentes dissidentes defendendo alta. O mercado segue tratando o choque como geográfico e administrável, e a prova disso é o apetite por risco que sustentou a alta de 3,09% do KOSPI, de 1,73% do Nikkei e o protocolo de abertura de capital da Anthropic com meta de até$1,75 trilhãode avaliação. Se o choque energético fosse lido como transmissão inflacionária plena, nenhum desses três movimentos existiria. A questão é que essa leitura depende da preservação da capacidade saudita de exportar, e os ataques a Ras Tanura, Hail e Dammam foram a primeira contestação material a esse pressuposto.
A conclusão estratégica é a de um sistema operando em seis epicentros simultâneos, e a mudança de qualidade desta terça-feira está na comprovação material de duas hipóteses que vinham sendo tratadas como retórica. O primeiro é a Ucrânia, onde a trégua de Oleshky começou com confirmação mútua e foi acompanhada de duas ondas balísticas sobre Kiev no mesmo intervalo, com CHP-5 atingida, Ponte Sul fechada e metrô segmentado, e onde dois interceptadores empregados sem nenhum abate confirmam o efeito da suspensão de entregas americanas. O segundo é o Golfo, onde Irã, Arábia Saudita, Turquia e Paquistão abriram mesa de segurança em Teerã no mesmo dia em que a guerra atingiu Ras Tanura, Hail e Dammam. O terceiro é o Levante, onde Israel vota com atrito entre comando militar e comando político, Hebron sob crítica da ONU e um acampamento de deslocados incendiado em Gaza. O quarto é a Europa, que enfrenta o maior preço de gás desde 2022, protestos em 12 países, alternância na Sérvia e dependência de nuvem americana na inteligência. O quinto é a Ásia, onde o Japão sinaliza intervenção cambial, assina acordo de defesa com a Finlândia e a Coreia do Sul negocia o controle operacional em guerra. O sexto é a América Latina, onde o Brasil entra em litígio com passaportes recolhidos, Trump chama a eleição de fraudada e Bruxelas reconhece o resultado. Os próximos movimentos a acompanhar são o resultado da eleição israelense e a composição da coalizão, a decisão do Federal Reserve em 28 de outubro, a confirmação ou o desmentido de dano físico a Ras Tanura, o prazo de reabertura da Ponte Sul e da linha verde do metrô em Kiev, o desfecho da reunião quadrilateral de Teerã e a Cúpula Rússia-África em Moscou.
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