Há silêncios que dizem muito e decisões que mudam o rumo da história. O que Riade acaba de anunciar não é apenas uma formalidade diplomática; é um sismo geopolítico cujos tremores secundários se farão sentir de Washington a Teerão.
A Arábia Saudita foi clara: o seu espaço aéreo e o seu território não servirão de trampolim para uma guerra contra o Irão. Nem uma única bota, drone ou míssil atravessará as suas fronteiras para atacar o seu vizinho.
Porque durante décadas venderam-nos a ideia de um Médio Oriente dividido em dois lados irreconciliáveis. Mas hoje, o Reino está a enviar uma mensagem poderosa: a autopreservação supera as alianças de fachada.
Não nos esqueçamos dos ataques às refinarias da Aramco no passado. Riade sabe que, na guerra moderna, ser o "porta-aviões" de uma potência estrangeira faz dela, automaticamente, o primeiro alvo de retaliação.
O príncipe herdeiro Mohammed bin Salman tem um plano: e esta visão de arranha-céus futuristas e turismo de luxo não sobreviverá numa região em chamas. A mensagem para o Ocidente é brutalmente honesta: "Não contem connosco para incendiar o bairro onde estamos a construir a nossa casa."
Esta neutralidade põe em risco a estratégia de "pressão máxima" que alguns setores internacionais procuravam fazer renascer. Se os aliados tradicionais fecharem portas...
O que é inegável é que o mapa do poder mudou. Os países do Golfo já não querem ser peões no tabuleiro de xadrez de ninguém. Agora, querem ser os mestres do tabuleiro.
O mundo observa com a respiração suspensa. Enquanto uns vêem traição, outros vêem a maturidade de uma nação que decide o seu próprio destino acima das pressões externas.
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Via: @Tribuna Multipolar