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A farsa da “restauração da democracia” na Venezuela
[…] o ex-primeiro-ministro e ex-líder do partido de “esquerda” SYRIZA, Alexis Tsipras, na sua declaração sobre a Venezuela, não hesitou em adotar um dos pretextos da intervenção dos EUA, o da “democracia”, observando que ela “também está a ser testada na Venezuela”.
Publicado em 19/01/2026 14:59
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Os absurdos usados ​​pelo governo para justificar a intervenção imperialista dos EUA na Venezuela são intermináveis. Autoridades governamentais, sem qualquer pudor, afirmam que “qualquer um que discorde das ações dos EUA está do lado do ditador Maduro”. Seguindo a mesma linha dos representantes do partido de direita no governo, Nova Democracia (ND), estão também figuras de outras forças burguesas e social-democratas. Por exemplo, o ex-primeiro-ministro e ex-líder do partido de “esquerda” SYRIZA, Alexis Tsipras, na sua declaração sobre a Venezuela, não hesitou em adotar um dos pretextos da intervenção dos EUA, o da “democracia”, observando que ela “também está a ser testada na Venezuela”. 

 

E tudo isto num momento em que até mesmo o presidente "pacificador" dos Estados Unidos, Donald Trump, deixa claro, de forma aberta e sem disfarces, que os EUA têm interesse em controlar o petróleo da Venezuela.

 

Esses partidos burgueses gregos, que elevaram a Arábia Saudita ao status de aliado estratégico do país, ousam falar em democracia. De facto, parte das forças armadas gregas está lá estacionada, a operar uma bateria de mísseis Patriot ao serviço dos planos euro-atlânticos. Na Arábia Saudita, o sistema judiciário é baseado na Sharia (lei islâmica), e as punições incluem açoites, amputações e execuções. Mais de 300 pessoas foram executadas em 2024 — o maior número já registado. As mulheres são tratadas como inferiores e submetidas a severas restrições, enquanto a vida é um inferno para milhares de migrantes, vítimas de opressão e exploração brutal. Qualquer crítica ao regime é recebida com duras punições, e é imposta uma censura rigorosa sobre o que a media pode escrever ou transmitir. 

 

É uma completa farsa todas essas pessoas falarem em democracia! 

 

O KKE, que desde o primeiro momento condenou a intervenção militar imperialista dos EUA na Venezuela, tem-se  posicionado coerentemente ao lado da classe trabalhadora e do povo venezuelano, bem como do Partido Comunista da Venezuela, condenando as medidas antioperárias e antidemocráticas tomadas contra eles. Ao mesmo tempo, porém, o KKE jamais julgou qualquer presidente, organização ou partido segundo os critérios utilizados pelos imperialistas. A NATO, a UE e o poder capitalista em geral — juntamente com os seus mecanismos — operam com base num conjunto de critérios, enquanto o KKE opera com base noutro. Como enfatizado na Declaração Conjunta dos Partidos Comunistas e Operários sobre os acontecimentos naquele país — apresentada pelo Partido Comunista da Venezuela e assinada pelo KKE juntamente com muitos outros Partidos Comunistas: 

O verdadeiro objetivo nunca foi a defesa dos direitos humanos, nem o suposto combate ao narcotráfico, nem a retórica da 'democracia', que servem apenas como pretextos. O verdadeiro objetivo tem sido a imposição direta dos interesses geopolíticos e económicos do imperialismo norteamericano na Venezuela e na região, no contexto da luta entre as potências capitalistas pelo controle dos recursos energéticos, das matérias-primas estratégicas, das rotas comerciais e dos mercados.”

 

O que falhou na Venezuela e por que foi ela alvo dos EUA 

 

Como há também quem, à luz dos recentes acontecimentos na Venezuela, volte a levantar o argumento de que “o socialismo fracassou — desta vez na Venezuela”, lembramos a extensa entrevista concedida no final do ano passado por Dimitris Koutsoumbas, Secretário-Geral do Comité Central do KKE, ao jornalista Panos Haritos. Entre outras coisas, foi-lhe colocada a questão se “o modelo socialista de Chávez fracassou ou se as propostas alternativas são impotentes diante dos mecanismos de controle da economia global”. 

 

Na sua resposta, o Secretário-Geral do Comité Central do KKE observou: 

A essência reside no facto de o capitalismo, como qualquer sistema socioeconómico, possuir leis inflexíveis. Mesmo que se renomeie o capitalismo para 'socialismo do século XXI' e se deem mais algumas migalhas a certos setores da classe trabalhadora, não se pode escapar da sua natureza implacável e exploradora. Chávez, e ainda mais obviamente Maduro depois dele, podem ter proferido palavras grandiosas sobre 'revolução' e 'socialismo', mas desde a época de Marx e Lenine, sabe-se que a revolução exige profundas mudanças sociopolíticas, que jamais ocorreram na Venezuela. Não se faz uma omelete sem partir os ovos. Além disso, como o país e a sua economia operam com base no lucro, como a força de trabalho continua a ser uma mercadoria e como o país está profundamente integrado na economia capitalista global e preso num ciclo vicioso de aguda concorrência  entre os atores mais fortes, nada mudará, não importa quantas vezes a palavra 'anti-imperialismo' seja invocada.” 

 

O Secretário-Geral do Comité Central do KKE também se referiu à questão "Por que está Trump a ameaçar Caracas?", focando-se no direcionamento do ataque para a Venezuela e observando o seguinte: 

Uma análise da recente Estratégia de Segurança Nacional dos EUA dá-nos a resposta, que reside na chamada 'restauração' da preeminência americana no Hemisfério Ocidental. Quem abalou essa preeminência? As evidências mostram que a China está a fortalecer rapidamente a sua presença comercial, especialmente na América do Sul. Agora é o principal parceiro comercial da América do Sul e o segundo maior parceiro comercial da América Central, América do Sul e Caribe, atrás apenas dos EUA. Assim, a Estratégia de Segurança dos EUA também sinaliza uma transição para o continente americano rumo a uma fase ainda mais perigosa de concorrência pela supremacia no sistema imperialista internacional.” 

  

 

Fonte: https://inter.kke.gr/en/m-article/The-Farce-Of-the-Restoration-of-Democracy-in-Venezuela/ 

 

 

 

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