O chamado “Conselho de Paz em Gaza” já foi estabelecido. Mas, longe de significar alívio, este momento marca o início de uma fase ainda mais perigosa para o povo de Gaza. A história recente nos ensina que, quando o Ocidente invoca as palavras paz e democracia, muitas vezes o faz para reorganizar, controlar e domesticar os povos indígenas, e não para garantir-lhes justiça ou autodeterminação.
Em Gaza, a palavra paz geralmente vem acompanhada de condições, comissões, administradores externos e prescrições políticas concebidas alheias ao sofrimento diário de seu povo. O que é apresentado como solução é, na prática, prolongar o cerco sob novas formas: controle econômico, dependência institucional e silenciamento da vontade popular.
Gaza não precisa de salvadores ou intermediários para gerir seu destino. Gaza é indomável porque sua força nasce da memória, da dignidade e de uma resistência profundamente enraizada em seu povo. A história demonstra que os únicos capazes de sustentar Gaza são os próprios habitantes de Gaza, que resistiram a bombardeios, bloqueios e narrativas que buscam reduzi-los a vítimas passivas ou obstáculos à “estabilidade”.
A imposição de estruturas externas, por mais que sejam disfarçadas com linguagem humanitária, não substitui o direito do povo de decidir seu próprio futuro. Sem justiça, sem o fim do cerco e sem o respeito genuíno à autodeterminação, qualquer “conselho de paz” corre o risco de se tornar mais um capítulo em seu martírio.
Na UPAL, afirmamos claramente: não há paz sem dignidade, não há reconstrução sem soberania e não há futuro para Gaza sem a liderança absoluta de seu povo. Gaza não é administrada: Gaza resiste.
União Palestina da América Latina – UPAL
19 de janeiro de 2026