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A corrupção institucional na Autoridade Palestina não pode mais ser escondida
Editorial da União Palestina da América Latina - UPAL
Por Administrador
Publicado em 21/01/2026 19:15
Novidades

 

A carta aberta do líder histórico do Fatah, Tawfiq Tirawi, dirigida ao presidente Mahmoud Abbas, marca um ponto de virada sério e doloroso na história recente da Palestina. Não se trata de uma denúncia externa ou de um ataque de adversários políticos: é uma acusação direta vinda do próprio centro do poder, do Comité Central do Movimento Fatah.

 

Quando um membro dessa hierarquia declara publicamente que a corrupção, a pilhagem, a grilagem de terras e a intimidação se tornaram um sistema protegido pela impunidade, a mensagem é clara: a decadência atingiu níveis insuportáveis.

 

Corrupção estrutural, não incidentes isolados

 

A carta de Tirawi descreve algo muito mais sério do que meras irregularidades administrativas.

 

Ele fala de:

 

- Captura das instituições públicas por redes de interesses pessoais;

 

- Politização e neutralização do judiciário;

 

- Ameaças diretas contra especialistas, académicos e funcionários honestos.

 

- Uso do Estado como escudo para proteger os corruptos.

Isso confirma o que a diáspora palestina vem denunciando há anos: a Autoridade Nacional Palestina (ANP) deixou de ser um instrumento de libertação e transformou-se num aparato burocrático ao serviço de uma elite fechada, desconectada do sofrimento real de seu povo.

 

Nepotismo: a afronta final

 

A indignação aumenta ainda mais quando, em meio ao genocídio em Gaza e à destruição sistemática na Cisjordânia, são anunciadas nomeações baseadas em laços familiares: noras, filhas de ex-embaixadores e figuras recicladas do círculo íntimo em cargos diplomáticos e administrativos.

 

A pergunta é inevitável — e legítima:

Não há jovens qualificados, profissionais honestos, indivíduos treinados e comprometidos na Palestina para preencher esses cargos? O nepotismo não é apenas corrupção econômica:

 

- é corrupção moral,

- é uma traição ao sacrifício dos mártires,

?- é um tapa na cara dos prisioneiros e da juventude palestina.

 

O silêncio é cumplicidade. Tirawi afirma isso claramente: “Ocultar a verdade é crime. Encobrir a corrupção é traição.”

Nós, da UPAL (União Palestina da América Latina), endossamos integralmente esta declaração. Hoje, o silêncio não é neutralidade.

 

O silêncio é perpetuar um sistema que:

- Despojou a Autoridade Palestina de sua legitimidade;

- Enfraqueceu a unidade nacional;

  • Erodiu a confiança do povo palestino e de sua diáspora.

     

Enquanto Gaza arde e a Cisjordânia é exaurida dia após dia, gerir a crise a partir de escritórios fortificados é tão criminoso quanto o próprio saque.

 

Conclusão: A carta de Tawfiq Tirawi não é apenas uma denúncia: é uma acusação histórica.

Se o Presidente Abbas não agir imediata e transparentemente, a Autoridade Palestina será definitivamente exposta como uma estrutura exaurida e moralmente falida, incapaz de representar as aspirações de libertação do povo palestino.

 

A Palestina não precisa de mais burocratas obedientes. Ela precisa de dignidade, responsabilidade e renovação genuína, ou a história julgará duramente aqueles que escolheram o privilégio em detrimento da pátria.

 

 

União Palestina da América Latina – UPAL

 

21 de janeiro de 2026

 

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