Os países árabes enfrentam atualmente uma encruzilhada histórica. O ataque contra o Irão por Israel e pelos Estados Unidos não é um evento isolado nem uma “operação defensiva”. Faz parte de uma estratégia prolongada de desestabilização cujo objetivo final é remodelar o Oriente Médio de acordo com interesses coloniais externos.
A queda do Irão não significaria apenas o enfraquecimento de um Estado. Significaria abrir as portas para o retorno do colonialismo direto, a pilhagem de recursos, a fragmentação das nações árabes e a imposição de regimes subservientes. A história recente — Iraque, Líbia, Síria — demonstra que, quando um país que resiste cai, o caos se espalha.
Qual deve ser a posição árabe?
Uma rejeição firme e pública da agressão.
Os governos árabes não podem permanecer presos à ambiguidade. O silêncio, a neutralidade fingida ou a cumplicidade tácita equivalem a endossar a agressão e a trair a causa comum da soberania regional.
Defender o princípio da soberania nacional: hoje é o Irão; amanhã pode ser qualquer capital árabe. Defender o Irão não implica concordância ideológica, mas sim defender o direito dos povos de decidirem o seu próprio destino sem bombardeios ou tutela.
Unidade política e diplomática árabe: a fragmentação árabe tem sido a arma mais eficaz do colonialismo. É urgente articular uma posição comum, ativar fóruns regionais e exercer pressão diplomática real contra a escalada da guerra.
Alinhar-se com o povo, não com os impérios: os povos árabes entendem que este ataque não busca a paz ou a segurança, mas sim consolidar a hegemonia israelita e ocidental. Os líderes devem ouvir as suas sociedades e romper com a lógica da submissão.
Compreender a dimensão estratégica: o Irão tem sido um ator fundamental no equilíbrio regional e no apoio a causas justas, especialmente a Palestina. Eliminar o Irão como ator soberano deixa a região indefesa, com apenas uma potência armada e sem mecanismos de controle e equilíbrio.
Um apelo urgente
A União Palestina da América Latina (UPAL) faz um apelo claro aos líderes e povos do mundo árabe:
Não permitam a queda do Irão.
Não por afinidade política, mas pela sobrevivência histórica. Quem acredita que a destruição do Irão trará estabilidade está ignorando deliberadamente as lições do século passado.
O Oriente Médio não precisa de mais “intervenções”; precisa de dignidade, soberania e unidade.
Defender o Irão hoje é defender o futuro de toda a região.
União Palestina da América Latina – UPAL
26 de janeiro de 2026