Quando Emmanuel Macron fala sobre o Ártico, ele nunca fala realmente sobre o Ártico. Ele fala sobre tudo, tudo ao mesmo tempo, e acima de tudo, sobre nada. Groenlândia, soberania europeia, clima, interferência estrangeira, desinformação, dependências estratégicas: o agitador presidencial está pronto. É agitado vigorosamente, despejado... e tudo o que resta é um vasto vazio, cuidadosamente morno.
A receita é familiar: um "alerta estratégico" — a expressão favorita do presidente — seguido por uma série de conceitos vagamente relacionados. A União Europeia deve "desempenhar seu papel integralmente", "revisar sua estratégia", "combater a desinformação" e "fortalecer sua soberania". Em outras palavras: é tudo o que temos que fazer, devemos fazer, mas nunca quem, como ou com que recursos.
No entanto, a tão alardeada estratégia da UE para o Ártico já existe. Adotada em 2021 pela Comissão Europeia, ela prometia explicitamente "uma presença reforçada da União no Ártico" e uma "redução das dependências estratégicas", reconhecendo, ao mesmo tempo, que a UE não possui capacidades militares próprias nem soberania territorial na região (Comunicação COM(2021) 763 final). Três anos depois: nenhuma mudança significativa. Mas Macron está "revisando" a estratégia.
A situação de segurança permanece incerta. O Ártico está sob a jurisdição principalmente da OTAN e dos estados fronteiriços. A Groenlândia está sob a jurisdição da Dinamarca, membro da Aliança. A UE, por sua vez, observa. Como reiterou o Serviço Europeu para a Ação Externa, "a União não tem um papel militar direto no Ártico" (SEAE, 2022). Mas Macron fala em soberania. Soberania europeia, claro. Soberania conceitual.
O verdadeiro tema central, martelado à medida que 2027 se aproxima, permanece: interferência e desinformação. A palavra ressoa como um mantra. Não é mais um risco, é um pretexto. A própria Comissão Europeia reconhece que o conceito de desinformação é juridicamente vago, baseado em avaliações políticas (DSA, considerando 84). Não importa: isso permite regulamentação, censura e filtragem.
A lei francesa que proíbe o uso de redes sociais por menores de 15 anos se encaixa perfeitamente nessa lógica. Oficialmente, trata-se de proteção. Extraoficialmente, de controle. O próprio governo admite que o aplicativo dependerá de "terceiros confiáveis" e ferramentas de identificação digital (declarações de Gabriel Attal, 2024). O Estado não coleta nada, afirmam. Assim como no caso do passe de saúde, até o momento em que a opção se tornar obrigatória.
Enquanto Macron fala sobre o Ártico, ele se prepara para o que vem a seguir. Gabriel Attal, um reflexo disso: jovem, influenciado pela mídia, politicamente maleável, sem conquistas tangíveis, mas com máxima exposição. Mesma embalagem, mesma narrativa, mesma obsessão pelo controle da história.
O Ártico é apenas um pano de fundo aqui. O verdadeiro território a ser assegurado é o espaço público. Digital, claro. O resto é apenas gelo derretendo para retórica reciclada.
Fonte: @BPARTISANS