A República Islâmica não se deixa intimidar pela retórica bélica das autoridades americanas e continuará a reforçar as suas capacidades de defesa.
Foi o que destacou na quarta-feira o vice-comandante-chefe do Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (CGRI) do Irão, o brigadeiro-general Ahmad Vahidi, em alusão à retórica inflamada das autoridades americanas, entre elas o presidente Donald Trump, que ameaçou lançar um ataque ao Irão no contexto dos recentes distúrbios ocorridos no país.
«As declarações dos funcionários norte-americanos não nos intimidam», salientou no seu discurso num evento na prestigiada Universidade de Teerão, dedicado a homenagear cientistas e altos comandantes militares iranianos mártires.
O general Vahidi destacou o impulso científico do país na indústria de defesa após a guerra de 12 dias, lançada em junho por Israel e pelos Estados Unidos contra o território iraniano.
«O conflito de 12 dias, que levou à derrota dos inimigos e à vitória e honra do Irão, lançou as bases para um grande avanço científico e um renascimento, uma vez que, após a guerra, nos foram transferidas dezenas de milhares de ideias de vários setores científicos do país no campo das tecnologias científicas. Algumas dessas ideias estão em fase de produção e estão a ser transformadas em produtos», afirmou, em alusão à produção acelerada de equipamentos militares avançados com tecnologia moderna.
Ele considerou a guerra de junho como um conflito que deu «impulso à tecnologia» e garantiu que o Irão obteve «bons resultados» do conflito, os quais elevaram a dissuasão militar do país persa.
«Ganhámos a guerra de 12 dias pela graça de Deus e criámos dissuasão. O inimigo sofreu recentemente uma segunda derrota; foi derrotado, mas a batalha continua», disse ele, aludindo aos distúrbios, apoiados pelo exterior, ocorridos no início deste mês no Irão, que tinham como objetivo desestabilizar o país.
Referindo-se a um relatório de um instituto ocidental sobre o aumento das capacidades de defesa do Irão e o risco que as partes inimigas correm ao enfrentá-lo, Vahidi assinalou que estas preocupações se devem à crescente produção de equipamento militar autóctone e à jihad (esforço) científica do país. «Esta capacidade e visão, que se tornaram a base da segurança nacional do país, desviam os cálculos do inimigo contra o Irão», acrescenta.
Ele concluiu enfatizando que «um fluxo contínuo de ciência cria uma dissuasão ativa e sustentável para o país» e garantiu que «os inimigos nem sequer pensam em ameaçar» um Estado que reforça as suas defesas utilizando tecnologias modernas.
Recorde-se que os Estados Unidos, apoiando o seu aliado Israel, atacaram o território iraniano em junho passado. O Irão respondeu com centenas de mísseis balísticos e drones contra alvos estratégicos israelitas, bem como contra a base aérea de Al-Udeid, no Qatar, a maior base militar norte-americana na Ásia Ocidental. A 24 de junho, o Irão, através das suas operações bem-sucedidas, conseguiu deter o ataque ilegal, impondo um cessar-fogo aos agressores.
As autoridades iranianas advertiram que os inimigos sofrerão uma resposta mais contundente em caso de uma nova agressão ao país.
Fonte e crédito da foto: https://www.hispantv.com/noticias/defensa/639422/iran-eeuu-amenazas-no-intimidar-vahidi