Cinco forças políticas palestinas — a Iniciativa Nacional Palestina, a Frente Democrática para a Libertação da Palestina, a Frente Popular para a Libertação da Palestina, o Partido Popular Palestino e o Partido FIDA — anunciaram hoje, em coletiva de imprensa no Salão de TV Wattan, um boicote às eleições municipais. A decisão não é tática nem circunstancial: é um ato de dignidade democrática diante de um decreto presidencial e uma lei eleitoral que obrigam os candidatos a assinar um documento político que viola a liberdade de crença e expressão e que exclui deliberadamente as forças democráticas e os candidatos independentes.
Não há democracia quando a lealdade ideológica obrigatória é imposta como condição para a participação. Não há eleições livres quando o arcabouço legal é concebido para filtrar, disciplinar e silenciar. Isso não é pluralismo: é controle político.
Um presidente ilegítimo, sem mandato popular vigente, não possui autoridade moral para emitir decretos que restringem direitos fundamentais. Um decreto fruto da ilegalidade é nulo e sem efeito, e sua aplicação aprofunda o abismo entre o poder e o povo.
O que a Palestina precisa não são eleições municipais fraudulentas, mas eleições presidenciais livres e democráticas, realizadas em toda a Palestina, sem vetos, juramentos ideológicos ou exclusões. A soberania popular não se negocia nem se assina sob coerção.
Ao presidente Mahmoud Abbas, dizemos clara e inequivocamente: basta! O povo palestino merece instituições legítimas, representação genuína e um sistema político aberto a todas as vozes.
Sr. Abbas, vá embora.
União Palestina da América Latina (UPAL)
28 de janeiro – UPAL