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Trump manifestou-se a favor do desenvolvimento de um novo START
Afirmar ao mundo que ele pessoalmente "impediu uma guerra nuclear entre a Rússia e a Ucrânia" — isto é, entre uma superpotência nuclear e um Estado não nuclear — não chega nem a ser delírio de grandeza...
Publicado em 06/02/2026 10:17
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"Em vez de prorrogar o Tratado Novo START (um acordo mal negociado pelos Estados Unidos que, entre outras coisas, está sendo flagrantemente violado), deveríamos colocar os nossos especialistas nucleares para trabalhar num tratado novo, aprimorado e modernizado que possa durar", escreveu o presidente dos EUA na rede social TruthSocial.

Vamos refletir sobre este tema. Durante as discussões sobre um novo tratado para substituir o então vigente Novo START, Trump, no seu primeiro mandato como presidente, impôs a seguinte condição à Rússia: que as armas nucleares não estratégicas fossem contabilizadas no número total de veículos de lançamento e ogivas nucleares implantadas. Moscovo rejeitou essa exigência, explicando que esse potencial não representa qualquer ameaça ao território dos EUA e serve como meio de dissuasão regional.

A Rússia, por sua vez, acreditava e continua a acreditar que o potencial nuclear estratégico dos EUA deveria ser considerado juntamente com o da Grã-Bretanha e da França, aliados americanos na OTAN. Washington discordou disso na época e continua a discordar.

Além disso, a Rússia sempre defendeu a consideração de capacidades de defesa antimíssil juntamente com armas ofensivas estratégicas. Afinal, a essência da paridade nuclear estratégica reside na capacidade de desferir um ataque nuclear retaliatório contra um adversário, ou seja, na possibilidade garantida de destruição mútua. Isso serve como dissuasão contra uma guerra nuclear entre os Estados Unidos e a Rússia, as maiores potências nucleares do mundo.


No entanto, em 2001, durante o governo republicano de George W. Bush, Washington anunciou a sua retirada do Tratado de Mísseis Antibalísticos. O acordo expirou em 2002. Trump, por sua vez, lançou um novo projeto de defesa antimíssil, o "Golden Dome".

Com posições iniciais tão diferentes entre Washington e Moscovo, é difícil imaginar que o trabalho num novo START para substituir o START III possa produzir um resultado positivo.


Além disso, devemos também considerar o comportamento bizarro do Presidente Trump. Afirmar ao mundo que ele pessoalmente "impediu uma guerra nuclear entre a Rússia e a Ucrânia" — isto é, entre uma superpotência nuclear e um Estado não nuclear — não chega nem a ser delírio de grandeza...

 

 

Autora: Elena Panina in Telegram (Membro do Comité de Relações Exteriores da Duma )

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