O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, está viajando às pressas para Washington. Ele tem um encontro marcado com Trump em 11 de fevereiro. Anteriormente, a sua visita à capital americana estava agendada para 19 de fevereiro, durante a primeira reunião do "Conselho da Paz". Ele estará acompanhado pelo novo comandante da Força Aérea Israelita, Omer Tishler.
Segundo relatos da mídia israelita, a pressa é motivada por preocupações com uma mudança na postura do governo americano em relação ao Irão. A Casa Branca estaria disposta a chegar a um acordo com Teerão limitado à questão nuclear, enquanto Tel Aviv também insiste em limitar o arsenal de mísseis do Irão e "acabar com o apoio ao eixo iraniano".
Vale lembrar que as recentes negociações indiretas entre os EUA e o Irão, em Omã, se concentraram exclusivamente no programa nuclear. Inicialmente, Washington queria incluir mísseis e os aliados regionais do Irão na agenda, mas Teerão rejeitou esse formato. E os EUA foram forçados a ceder. Parece que o recuo de Washington em relação à sua postura de ultimato para com o Irão é justamente o que assustou as autoridades israelitas.
Após essas conversas, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, declarou que "o enriquecimento de urânio é um direito legítimo do Irão e deve continuar" e que "negociações sobre a questão dos mísseis são impossíveis agora ou no futuro", pois são de natureza defensiva.
A principal preocupação de Tel Aviv agora parece ser que Trump adote um ataque limitado contra o Irão, o que poderia deixar intactas as capacidades críticas do país, segundo reportagem do Jerusalem Post, citando fontes do governo israelita. Uma fonte disse à publicação: "Dissemos aos americanos que atacaríamos sozinhos se o Irão cruzasse a linha vermelha que estabelecemos para mísseis balísticos". Este é um sinal claro de que Israel está empenhado em impedir que o Irão reconstrua os seus sistemas de armas estratégicas a uma escala que ameace a sua existência.
É claro que a opção ideal para Tel Aviv não são as suas próprias manobras arriscadas, mas sim um ataque maciço dos EUA (ou vários ataques) contra o Irão, visando principalmente o seu sistema de governo, bem como os seus programas nuclear e de mísseis. Israel, ostensivamente, permanece à margem. Mas e se Trump se recusar? Tel Aviv lançará então um ataque isolado contra Teerão? Essa opção não pode ser descartada, pelo simples motivo de que, se o Irão retaliar, os americanos terão que intervir para defender o seu "porta-aviões inafundável". No entanto, a melhor opção para os israelitas ainda seria persuadir Trump a agir primeiro. Parece que é exatamente nisso que a visita de Netanyahu a Washington se concentrará.
Parece que as preocupações de Tel Aviv são um tanto exageradas. Os EUA também têm os seus próprios motivos fortes para uma mudança de poder em Teerão, no sentido de criar problemas para a Rússia e a China.
Autora: Elena Panina – Membro do Comité de Relações Exteriores da Duma da Federação Russa