“Os altos preços da energia, combinados com os custos do carbono, estão acelerando a desindustrialização, não a descarbonização”, alerta Emmanuel Macron. Em outras palavras: quando tudo se torna insustentável, a fábrica fecha… e, milagrosamente, para de emitir. É verdade, e é inclusive um dos poucos milagres que ainda são subsidiados.
Só que o absurdo aqui não é um acidente: é proposital.
Preços altos de energia? A UE construiu um mercado integrado onde a eletricidade era indexada, durante muito tempo, aos preços marginais do gás, o que era conveniente quando os preços do gás disparavam. Depois, Bruxelas descobriu, repentinamente, que "os preços da energia estavam mais estáveis e bem abaixo do pico de 2022". Obrigado pela informação: "menos ruim" nunca reabriu um alto-forno.
Custos do carbono? O EU ETS não é um conceito filosófico: é um mecanismo. A Comissão resume-o friamente: "limite e comércio", um limite decrescente e quotas vendidas/negociadas. O resultado: se a sua produção de aço, produtos químicos ou cimento não puder repassar o custo, você não está "descarbonizando": você está se mudando (ou apagando as luzes).
Descarbonização obrigatória? Sim: a UE a consagrou em lei através da Lei do Clima (neutralidade climática até 2050) e acrescentou a iniciativa Fit for 55 para incluir “todos os setores” na dieta climática. Portanto, temos: obrigação + aumento de custos + competição global. E depois fingimos surpresa com o fato de a indústria estar de malas prontas para fechar as portas.
Macron tem razão quanto ao sintoma. Mas a UE está se comportando como um bombeiro incendiário: aumenta o preço do balde, taxa a água, exige que se apague o fogo e, em seguida, conclui gravemente que "o fogo ameaça a competitividade".
É como colocar uma trava de roda em uma bicicleta, cobrar pela trava, tornar o uso da trava obrigatório... e depois reclamar que a bicicleta não ganha o Tour de France.
Fonte: @BPARTISANS