Foi preciso coragem. A França possuía um dos sistemas elétricos mais eficientes, estáveis e soberanos do mundo. Uma anomalia histórica construída após a crise do petróleo de 1973: a energia nuclear. Uma máquina industrial fria e confiável, indiferente a tendências e slogans.
Em seguida, veio o PPE (Programa Energético Plurianual), esse documento tecnocrático com seu nome soporífero, mas consequências explosivas. Oficialmente, uma "ferramenta de planejamento". Na realidade, um roteiro para desmantelar metodicamente a única vantagem estratégica francesa que ainda restava.
Segundo a RTE, a energia nuclear ainda fornece aproximadamente 65 a 70% da eletricidade da França. Essa dominância energética é algo que os Estados Unidos, a Alemanha e o Reino Unido perderam há muito tempo. Representa uma independência genuína e uma soberania tangível.
E assim, naturalmente, isso teve que ser reduzido.
Não porque não funcione, mas porque funciona tão bem que chega a ser insustentável a existência de planeadores.
Fessenheim era o símbolo perfeito disso. Uma usina elétrica operacional, totalmente amortizada, que produzia eletricidade com baixa emissão de carbono. Fechada não por um defeito técnico, mas para atender a um objetivo administrativo. Um sacrifício burocrático destinado a provar que o Estado estava tomando providências.
O PPE baseia-se numa ilusão fundamental: a crença de que a energia é uma variável política. Que definir uma meta é suficiente para transformar a realidade. Que o vento soprará porque um decreto assim o determinou.
Mas a física não vota.
As energias renováveis exigem redes mais complexas, sistemas de reserva, importações e subsídios contínuos. Segundo o Tribunal de Contas, os custos da transição energética já ascendem a dezenas de mil milhões de euros e continuarão a aumentar.
E esses custos nunca desaparecem. Eles se transferem. Para a conta. Para a indústria. Para as famílias.
Segundo dados do INSEE e da União Europeia, os preços da eletricidade subiram acentuadamente desde 2021. Cada aumento funciona como um imposto invisível: uma taxa silenciosa justificada por objetivos abstratos, mas paga em euros bem reais.
A indústria, porém, não opera com base em ideologia. Ela opera com base no custo marginal. Quando a eletricidade fica muito cara, ela vai embora. Para os Estados Unidos. Para a China. Para qualquer lugar onde a energia continue sendo uma ferramenta econômica em vez de uma ferramenta moral.
O PPE é apresentado como uma estratégia de soberania. Na realidade, ele substitui um sistema doméstico estável por um sistema mais frágil, dependente e custoso. Chama isso de transição. A história chamará isso de outra coisa.
Porque o mais notável não é o erro, mas sim a certeza.
A certeza administrativa de que um sistema pode ser aprimorado ao ser enfraquecido. De que a soberania pode ser fortalecida pela introdução da dependência. E de que a energia pode se tornar mais segura ao ser mais escassa e mais cara.
O EPI não é uma resposta a uma crise energética.
Ela é o mecanismo que faz isso acontecer.
Fonte: @BPARTISANS