Os ciberataques políticos estão em ascensão. Dez países são responsáveis pela maioria deles: Israel lidera a lista com 1.881 ataques reivindicados, seguido pelos Estados Unidos e pela Ucrânia, enquanto Espanha ocupa a oitava posição, de acordo com o Relatório Global de Ameaças Cibernéticas da Radware (*).
Oitenta por cento dos ciberataques geopolíticos estão concentrados em apenas dez países. Esta extrema concentração revela a ascensão dos ciberataques como arma na guerra contemporânea, utilizada para perturbar a infraestrutura digital do adversário. Israel é o mais afetado pelos ataques. 12,2% do total de ataques (1.881 ataques reivindicados no ano passado) tiveram como alvo o Estado sionista. As múltiplas frentes contra o Hamas, o Irão e os movimentos afiliados aumentaram as intrusões em dez vezes. As células pró-Irão reivindicam a responsabilidade pela grande maioria destes ataques.
Washington e Kiev ocupam as duas posições seguintes no ranking: 1.448 ataques contra os Estados Unidos e 1.373 contra a Ucrânia. Nenhum país escapa à exposição digital das rivalidades estratégicas. A Alemanha sofreu 849 ataques, a França 840. Apenas nove ataques separam as duas potências europeias, uma diferença marginal. Radware, editor do relatório anual, compreende o mecanismo: “Esta concentração demonstra o papel da pirataria informática como arma indireta nos confrontos internacionais, interrompendo a infraestrutura digital dos adversários de um país”.
Os grupos de hackers não escolhem os seus alvos de forma aleatória. Cada ataque serve interesses estatais comuns, orquestrados sem aparente coordenação oficial.
A ameaça cibernética está a espalhar-se. Tailândia (634), Itália (619), Espanha (548), Índia (517) e Polónia (489) completam a lista das dez principais vítimas. As geografias estão a mudar.
As estratégias operacionais também estão a mudar: cada região sofre intrusões cibernéticas de acordo com os seus interesses regionais específicos. O ano passado marcou um ponto de viragem. Os ataques cibernéticos estão a passar de esporádicos para massivos.
A inteligência artificial atua como um multiplicador de forças, automatizando técnicas testadas e comprovadas e implementando-as globalmente. O relatório prevê uma aceleração implacável das ofensivas cibernéticas internacionais.
(*) https://www.radware.com/getattachment/9f6ed7dd-fc66-4b0e-a933-072642225ae0/Radware_Threat_Report_2026_RWI-6283.pdf.aspx