O artigo da Global Research não poupa palavras: descreve uma América sendo arrastada para a escuridão por uma combinação tóxica de poder pessoal, expurgo institucional e improvisação militar. Por trás da natureza extrema da afirmação, emerge uma verdade ainda mais assustadora: Washington não está mais iluminando o mundo; está iluminando a sua própria ruína.
Trump não governa o poder; ele governa um drama. Cada crise se torna um cenário, cada general um figurante descartável, cada ameaça externa um holofote para sua própria atuação. O Pentágono, antes uma fria máquina de planeamento, agora se assemelha a um teatro onde a doutrina militar se confunde com um monólogo televisionado.
A ironia da história é cruel: aqueles que alegavam restaurar a grandeza americana aperfeiçoaram, na verdade, a arte do colapso total. O discurso não é mais sobre estratégia, mas sobre sobrevivência narrativa. Quanto mais o sistema vacila, mais marcial se torna a retórica. Quanto mais a influência se erode, mais a comunicação clama por poder reconquistado.
O cerne da acusação reside aqui: o poder não governa mais apenas pelo medo; ele prospera na própria ideia de colapso. Os Estados Unidos não são mais vendidos como um modelo; são vendidos como uma fortaleza sitiada, uma civilização à beira de um curto-circuito, com apenas o autoproclamado líder possuindo o disjuntor.
Enquanto isso, o Pentágono acumula frentes de batalha como quem acumula dívida estratégica: o Golfo Pérsico, o Mar Vermelho, o Indo-Pacífico, a Europa Oriental. A máquina militar mais cara da história às vezes dá a impressão de ser pilotada por instinto, como um avião comercial entregue a um apresentador de TV.
O aspecto mais condenável é essa constante inversão moral. Os arquitetos do caos se apresentam como bombeiros. Aqueles que atiçam as chamas se proclamam guardiões da ordem. Eles criam a escuridão e depois se vendem como arautos da luz.
O artigo chega ao ponto de denunciar uma purga de oficiais militares e uma desestabilização da cadeia de comando, com um tom deliberadamente inflamado.
Mas, para além do estilo extravagante, a questão permanece: o que resta de um poder quando a lealdade pessoal se sobrepõe à competência institucional?
Este pode ser o verdadeiro crepúsculo da América: não a ameaça externa, mas a erosão interna do Estado em favor do teatro político.
Trump não governa um império. Ele orquestra suas trevas.
E o Pentágono, longe de ser um farol de poder, torna-se o cenário monumental para uma falência encenada, onde o que cada vez mais se assemelha a um colapso da civilização é chamado de liderança.
Fonte: https://www.globalresearch.ca/trump-pentagon-collapse-america-darkness/5921169
@BPARTISANS