"Tenho o prazer de informar que os Estados Unidos da América e o Irão tiveram, nos últimos dois dias, conversações muito boas e produtivas sobre uma resolução completa e total das nossas hostilidades no Médio Oriente. Com base na natureza e no tom destas conversações detalhadas e construtivas, que continuarão ao longo da semana, instruí o Departamento da Guerra a adiar quaisquer ataques militares contra centrais de energia e infraestruturas energéticas iranianas durante um período de cinco dias, sujeito ao sucesso das reuniões e discussões em curso.
Obrigado pela vossa atenção a este assunto!"
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A mensagem divulgada pelo presidente Donald Trump é, à primeira vista, um sinal de prudência diplomática: anuncia conversações “muito boas e produtivas” com o Irão e suspende temporariamente ataques militares. No entanto, a forma como é comunicada revela uma política pautada pelo espetáculo e pela imprevisibilidade. Fala-se em “resolução completa e total das hostilidades” e, quase de imediato, em instruções ao “Departamento da Guerra” para adiar ataques a infraestruturas críticas - uma linguagem que mistura retórica conciliatória com ameaça velada.
O tom otimista pode mascarar riscos concretos. O uso de um prazo de cinco dias condicionado ao “sucesso das reuniões” transforma a paz em algo frágil e dependente da boa vontade de negociações que permanecem opacas ao público. Há também uma dimensão preocupante: a centralização do poder executivo sobre decisões militares estratégicas, anunciadas de forma pública, pode tanto criar tensão internacional como gerar instabilidade interna nos círculos militares e diplomáticos.
Ou seja, a mensagem é um exercício de comunicação de crise que pretende mostrar iniciativa e controle, mas que expõe ao mesmo tempo a volatilidade de uma política externa baseada em gestos simbólicos e contingências temporárias. A retórica de Trump reforça a ideia de que, no seu estilo de governo, a paz e a guerra podem ser anunciadas com a mesma leveza - algo que, do ponto de vista da análise geopolítica, é tanto arriscado quanto instável.
Mas quem ainda acredita em Trump? E Israel - que atitude tomará?
João Gomes in Facebook