O presidente da EE.UU., Donald Trump, abandonou Pquim de mãos vazias enquanto a derrota frente ao Irão altera o equilíbrio de poder e reconfigura a ordem mundial.
Pelo pessoal do site da HispanTV
A recente guerra imposta contra o Irão e as suas consequências alteraram de forma fundamental o equilíbrio de poder no mundo e reescreveram as regras globais de confronto, com Teerão a emergir como a força decisiva que moldou a competência entre as grandes potências. O que inicialmente foi apresentado como mais um episódio de “máxima pressão” contra o Irão transformou-se, em mudança, num momento revelador de transformação estratégica, em que a nação iraniana demonstrou a sua extraordinária resiliência, adaptabilidade e crescente peso geopolítico.
Por outro lado, o fracasso de Washington em impor os resultados que desejava deixou ao descoberto os limites cada vez mais evidentes do poder estadounidense num mundo cada vez mais multipolar.
Estes acontecimentos reforçaram a posição de Teerão como um actor indispensável nos assuntos regionais e globais, com consequências que afectam os mercados energéticos, a segurança marítima, a competência entre superpotências e a própria estrutura futura da ordem internacional.
A recente viagem de alto risco do presidente norte-americano, Donald Trump, à China transformou-se numa das mais claras ilustrações desta nova realidade geopolítica emergente.
A visita foi considerada uma oportunidade para que Washington recuperasse a sua influência estratégica, persuadindo a China a exercer pressão económica e estratégica sobre o Irão.
No entanto, o cume terminou expondo a eficácia decrescente da influência estadounidense e o desejo de se manifestar que o Irão já não é uma questão periférica sobre quais são as grandes potências que podem simplesmente ser negociadas.
A saída de Trump de Pequim com as mãos vazias
Trump abandonou Pequim sem discussões sérias sobre o Irão, sem avançar em relação a Taiwan e sem as vitórias estratégicas que Washington espera exibir. A China não mostrou nada de voluntário nem de urgência para satisfazer as exigências dos estadosunidenses.
A relevância desta querela foi muito mais além da diplomacia. Reflecte uma transformação mais profunda na política mundial: o surgimento de um Irão mais resiliente num mundo onde o domínio estadounidense não garante a obediência nem de aliados nem de adversários.
Um dos momentos mais reveladores foi produzido quando o próprio Trump reconheceu que o seu homólogo chinês, Xi Jinping, insistiu na continuidade das compras de petróleo iraniano. Esta declaração, por si só, representou uma vénia diplomática para Washington. Indicou que Pequim considera a sua relação com o Irão um plano estratégico ligado à segurança energética a longo prazo e ao equilíbrio geopolítico, e não é uma questão negociável susceptível de ser sacrificada sob baixas pressões e concessões estatais unidenses.
Antes da cimeira de Pequim, alguns analistas especularam sobre a possibilidade de a China utilizar a sua influência económica sobre Teerão para empurrar o Irão para concessões ou compromissos.
Washington esperava cooperação, especialmente dada a dependência da China do fornecimento de energia iraniana e a sua condição de principal comprador de petróleo do Irão. Mas a China queixou-se de forma clara e categórica avançou nesse sentido. Igualmente, significativa foi a recusa do governo chinês em apoiar publicamente as narrativas norte-americanas sobre o Irão durante a visita. Pequim evitou avaliar deliberadamente a posição de Washington e, ao mesmo tempo, reiterou a sua oposição a políticas destinadas a intensificar o confronto com Teerão.
Pouco depois do regresso de Trump, responsáveis chineses reafirmaram o direito do Irão a desenvolver energia nuclear com fins pacíficos e renovaram as suas críticas contra as políticas coercivas dos Estados Unidos.
Na verdade, a imagem projetada da cimeira foi claramente favorecida para Pequim. Os funcionários chineses transmitiram serenidade, confiança e paciência estratégica, enquanto a delegação estadounidense parecia ansiosa por obter resultados concretos. Os observadores internacionais descreveram a visita como rica em simbolismo, mas pobre em resultados substanciais em relação aos aspectos centrais que dividem as duas potências mundiais.
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