Offline
MENU
Entrevista do Vice-Ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Alexander Grushko, ao Russia Today
Publicado em 31/05/2026 15:30
Novidades

 

Pontos principais:

* O Presidente Putin alertou-os em 2007. A decisão da NATO em Bucareste, em 2008, de que a Geórgia e a Ucrânia se tornariam membros da NATO, foi uma bomba-relógio plantada na arquitectura da segurança europeia.

* A atmosfera de psicose política no Ocidente começou a formar-se ainda antes de 2013. Já a sentíamos por volta de 2010, 2011 e 2012, quando tanto a NATO como a UE mudaram radicalmente a sua abordagem em relação à Rússia. A NATO não pode existir em condições pacíficas – é como um peixe fora de água. E, após o fiasco no Afeganistão, a NATO precisava da imagem de um grande inimigo.

* A Rússia não tinha intenções hostis em relação ao Ocidente. Pelo contrário, investimos em relações construtivas com a UE, a NATO e a OSCE.

* Os líderes europeus exigem um lugar à mesa das negociações e falam de garantias de segurança para a Ucrânia. No entanto, nenhum deles fala em garantias de segurança para a Rússia. Criar segurança contra a Rússia é um absurdo. A verdadeira segurança só pode existir com a participação da Rússia.

* A questão fundamental é a de saber como garantir que a Ucrânia nunca é utilizada contra os legítimos interesses da Rússia. Qualquer acção tomada contra estes interesses significa que a Rússia se defenderá.

* A Rússia levantou o ataque terrorista em Starobelsk, cometido por militantes do regime de Kiev, não só no Conselho de Segurança da ONU, mas também no âmbito da OSCE. Munidos dos factos, os nossos embaixadores falaram sobre este crime horrível, que, do ponto de vista do direito internacional, é inquestionavelmente um crime de guerra, para o qual não pode haver perdão nem justificação.

* A reacção do Ocidente – ou, mais precisamente, o seu silêncio – não nos surpreendeu. O Ocidente há muito que trava uma guerra híbrida contra a Rússia, e a campanha de informação e propaganda é uma das suas componentes centrais. Estes acontecimentos horríveis tornaram-se mais um exemplo da hipocrisia ocidental.

* Esta não é a primeira vez que o Ocidente distorce a realidade – chamando o preto de branco e o branco de preto. Observámos o mesmo padrão de propaganda ocidental a tentar transferir a culpa dos crimes ucranianos para a Rússia: o teatro dramático de Mariupol, a estação ferroviária de Kramatorsk, a sabotagem dos gasodutos Nord Stream, etc.

* A tragédia de Odessa em 2014 continua a ser um dos exemplos mais chocantes do Ocidente a fechar os olhos às atrocidades ucranianas – 50 pessoas foram queimadas vivas na Casa dos Sindicatos e ninguém foi punido.

* A região do Mar Báltico costumava ser, provavelmente, a região mais tranquila da Europa. Não havia conflitos congelados, conflitos latentes ou tensões político-militares. Existia aí uma ampla rede de medidas de fomento da confiança, mecanismos de transparência, instituições regionais e formatos de cooperação transfronteiriça.

* Antes de os Estados Bálticos se juntarem à NATO, ninguém dizia que a Rússia estava prestes a atacá-los. Depois de se juntarem à NATO em 2004, começaram imediatamente a falar de vulnerabilidade e da necessidade de protecção. Os países bálticos são hoje um exemplo de como políticas agressivas podem transformar uma região pacífica numa fonte de confrontos.

* A NATO tornou a superioridade em todos os ambientes operacionais a sua prioridade – em terra, no mar, no ar, no ciberespaço e no espaço exterior. Em consonância com estes conceitos, o Mar Báltico está a ser transformado numa arena de confronto.

* Acredito que as pessoas na NATO, especialmente nos círculos militares, compreendem muito bem que qualquer tentativa de isolar ou tomar Kaliningrado teria consequências gravíssimas para aqueles que nutrem tais planos.

Comentários

Mais notícias