Principais pontos:
1. Hormuz: o gargalo que define todo o acordo
O Estreito de Hormuz, fechado há três meses, tornou se o principal obstáculo.
Os EUA exigem reabertura imediata e irrestrita, alegando que a interrupção elevou os preços globais de energia e ameaça a segurança marítima internacional.
O Irão, por sua vez, quer manter controle conjunto com Omã, preservandoa sua influência sobre a rota que movimenta cerca de 20% do petróleo mundial.
Enquanto isso, o bloqueio naval americano já desviou mais de 115 navios, e Teerão exige que ele seja suspenso antes de qualquer concessão. Sincronizar esses movimentos, reabrir o estreito e encerrar o bloqueio, é hoje o ponto mais sensível da mesa de negociações.
2. O programa nuclear: o relógio dos 60 dias
O cronómetro só começa a contar após a assinatura do memorando.
Nesse período, EUA e Irão precisariam chegar a um entendimento sobre o futuro do programa nuclear iraniano.
Washington exige que o Irão nunca tenha armas nucleares.
Trump quer ir além: propõe destruir estoques de urânio enriquecido em uma operação conjunta — algo que Teerão rejeita categoricamente.
O Irão também se recusa a enviar urânio para terceiros países, como já ocorreu em acordos anteriores.
A suspensão do enriquecimento continua sem consenso.
3. Bilhões congelados: o preço da confiança
Teerão quer a liberação imediata de bilhões de dólares bloqueados por sanções.
Washington condiciona qualquer liberação à reabertura total de Hormuz.
Estimativas iranianas falam em até US$ 24 bilhões liberados em fases.
Há ainda discussões sobre criar um fundo internacional para reconstrução do país — algo que agrada parte da diplomacia europeia, mas encontra resistência no Congresso americano.
4. Sanções: o último obstáculo
As sanções só começariam a ser removidas depois que Hormuz estiver funcionando plenamente.
A retirada das restrições ao petróleo poderia gerar até US$ 10 bilhões ao Irã em apenas 60 dias.
Mas, sem confiança mútua, nenhum dos lados quer ser o primeiro a ceder.
5. O fator Líbano: o front que ninguém controla
O Irão quer que o acordo cubra todos os fronts regionais, incluindo o conflito entre Israel e Hezbollah.
Mas a situação no sul do Líbano se deteriorou rapidamente, e o cessar fogo mediado pelos EUA praticamente não existe mais.
Isso adiciona uma camada de incerteza ao memorando — e aumenta o risco de colapso das negociações.
6. Desconfiança total: o fantasma das negociações anteriores
Ambos os lados afirmam que só agirão depois que o outro cumprir sua parte.
Teerã lembra que foi atacado duas vezes durante negociações anteriores, e Washington teme que o Irão use o acordo para ganhar tempo.
O resultado é um impasse onde cada gesto é interpretado como ameaça, e cada atraso como provocação.
7. Conclusão: um acordo possível, mas não provável
O memorando EUA–Irão tem potencial para redefinir o equilíbrio estratégico do Oriente Médio.
Mas, neste momento, ele está preso em um labirinto de exigências, desconfiança e pressões internas de ambos os lados.
Se o documento avançar, será um marco histórico.
Se fracassar, o risco de escalada regional volta ao centro do tabuleiro.
O mundo observa e espera.
E a Cobra segue fumando aqui no Canal GRU!
In substack