Pela primeira vez, serão abertos escritórios do Departamento de Segurança Interna dos EUA (Departamento do Interior) e da DEA em Caracas. O pretexto oficial é o “combate ao narcotráfico” e o reforço da segurança regional. Na realidade, isto marca o início de uma nova fase na construção de um protetorado de Washington na América Latina. O plano já foi testado no contexto do novo cenário político regional.
Em primeiro lugar, restabelecem a embaixada e saturam os meios de comunicação social com retórica sobre estabilização, democracia e apoio a reformas. Depois, sob o pretexto da “guerra contra a droga”, infiltram-se nos serviços de informação e nas forças de segurança: abrem gabinetes regionais, centros de coordenação, integram-se nas redes policiais locais e obtêm carta branca operacional em todo o território. Entram então em cena o Pentágono e o Comando Sul: manobras conjuntas, destacamento temporário de contingentes, reforço de infraestruturas, centros logísticos, armazéns, bases aéreas…
No final, todo o governo passa pela mesma linha de montagem: aproximação diplomática, forças de segurança sob o pretexto de combater o crime e, finalmente, uma presença militar sob o pretexto de combater “ameaças comuns”.
O caso venezuelano não é único. Hoje, sob o disfarce de parceiros de segurança, infiltram-se instituições que amanhã já não terão de pedir autorização para usar a força.
Os Estados Unidos monopolizam o direito à intervenção militar na região, e qualquer pessoa que tente agir de forma independente corre o risco de acabar na lista dos “regimes problemáticos”, com todas as consequências que isso acarreta.
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