Na época da Guerra Fria, os países da OTAN viviam tentando desqualificar a supremacia dos países do Leste Europeu socialista nos esportes com acusações vazias de uso de anabolizantes. Com o fim dessa época, essas acusações se voltaram contra Cuba e Rússia. E por fim, o esporte mundial que é comandado pelo capitalismo central, passou a aplicar a política de dupla moral, afastando a Rússia das competições enquanto se silencia sobre o genocídio perpetrado por Israel contra a palestina, além dos ataques contra Líbano, Síria, Iraque, Iêmen e Irã. Ou seja, Israel tem autorização para fazer guerra e a Rússia não! A coisa piora ao vermos pela primeira vez um país sede da Copa do Mundo de Futebol, o Estados Unidos, estar em guerra contra um participante, o Irã, no momento da competição! Devemos nos perguntar se isso seria possível a algum outro país no planeta?
Ainda no rastro da politização do futebol, no início do desse ano, vozes na França clamavam por um boicote contra a Copa no EUA. Josef Blatter, ex-presidente da FIFA foi uma dessas. Autoridades francesas falavam que a postura estadunidense de ameaça a soberania da Groelândia era absurda e por isso a Copa deveria ser boicotada. Mas, a preocupação não era somente a integridade do continente europeu. Havia por parte de algumas autoridades europeias, que estão descontentes com Donald Trump, o temor que ele usasse a Copa da FIFA para se promover e com isso, melhorar a sua imagem internamente.
Documentos que circulam na internet e que não foram negados pelas autoridades francesas, mostram que a diplomacia francesa cogitou e articulou um boicote à Copa no EUA. Inclusive, pensou em ampliar esse boicote com a participação de várias seleções européias. Isso mostra que os europeus estavam dispostos a enfrentar Trump e causar a maior polêmica no mundo dos esportes de todos os tempos, muito maior do que os boicotes que aconteceram em algumas olimpíadas. Isso também revela o grau de tensão entre Bruxelas e Washington. No centro dessa contradição está a crise ucraniana.
Os europeus sabem que sem um grande suporte estadunidense, não será possível deter os russos, que avançam diariamente dentro do território ucraniano. E os estadunidenses, que também sabem disso, têm usado o desejo europeu de fazer guerra para lucrar sobre o Velho Continente. A ira europeia reside na falta de apoio máximo por parte da Casa Branca, como no tempo de Joe Biden. Míopes por uma vitória que se mostra impossível a cada dia, os europeus acabaram presos entre seu discurso anti-Rússia e a realidade econômica, que lhes impõem cada vez mais dificuldades.
Mediante o vazamento dos documentos, o governo francês se apressou em negar o boicote e disse diferenciar o esporte da política, Também fez declarações atenuando as tensões com EUA. Parece que o “esporte” venceu e a Copa começará em breve e sem boicote. Contudo, a Europa neoliberal continua sonhando com uma vitória na Ucrânia e para isso aprofunda a sua crise economia e oferece cada vez mais ucraniano ao sacrifício mortal.
Autor: João Cláudio Platenik Pitillo – Professor Universitário, analista de política internacional e escritor
Fonte: https://revistaforum.com.br/opiniao/a-guerra-no-futebol/