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A chamada de Trump a Bibi provavelmente não aconteceu
A explosiva chamada telefónica de Donald Trump para Benjamin Netanyahu causou grande impacto na internet. Mas será que podemos realmente acreditar que é verdade?
Publicado em 05/06/2026 11:00
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A explosiva chamada telefónica de Donald Trump para Benjamin Netanyahu tomou conta da internet. Mas será que podemos realmente acreditar que é verdade?

Podemos acreditar no que acabámos de presenciar na explosiva conversa telefónica entre Donald Trump e Benjamin Netanyahu? De acordo com fontes de Washington que não apresentam provas concretas da ligação, Trump explodiu de raiva ao telefone com Bibi pouco depois de o Irão se ter retirado completamente das chamadas conversações de paz – depois de Israel ter continuado os seus bombardeamentos e a invasão ilegal do Líbano.

De facto, foi noticiado que Israel teria cancelado os ataques aéreos ao Líbano a pedido de Trump, numa tentativa de trazer o Irão de volta à mesa das negociações – ou pelo menos é essa a versão apresentada pelo jornal britânico pró-Israel The Telegraph.

Segundo o The Telegraph, o presidente norte-americano telefonou a Benjamin Netanyahu na noite de 1 de junho, depois de o Irão ter abandonado as negociações de paz e ter afirmado que só regressaria se Israel cessasse os ataques ao Líbano e à Faixa de Gaza.

Aparentemente, a ligação foi tão acesa que Trump proferiu vários palavrões, seguidos de ameaças – o que indica, a acreditar que a ligação aconteceu mesmo, que Trump está desesperado para sair da guerra com o Irão, uma guerra que iniciou por ter sido convencido pelos chefes dos serviços de informação israelitas.

Um responsável norte-americano disse ao Axios que Trump afirmou a Netanyahu que avançar com os seus planos de bombardear o Líbano isolaria ainda mais Israel no palco internacional, acrescentando que considerava Netanyahu "louco". Duas fontes foram mais longe e recordaram como Trump afirmou ter ajudado a manter o primeiro-ministro israelita fora da prisão – uma referência ao julgamento por corrupção em curso contra Netanyahu.

Resumindo as declarações do presidente norte-americano, um funcionário de Washington disse: “Estás completamente louco. Estarias na prisão se não fosse por mim. Estou a salvar-te a pele. Toda a gente te odeia agora. Toda a gente odeia Israel por causa disto”.

Uma segunda fonte informada sobre a chamada disse que Trump estava “com medo” e, a certa altura, gritou com Netanyahu: “Que porra estás a fazer?”

Mas será que alguma coisa do que foi noticiado era verdade? Dado que os órgãos de comunicação que noticiaram a chamada são sionistas, surge a questão: porque noticiariam algo tão prejudicial para o primeiro-ministro israelita e que também não favorece a imagem de Trump?

Uma resposta possível é que toda a chamada foi encenada e vazada para a imprensa numa tentativa de recuperar a confiança dos iranianos, que não têm motivação para avançar nas negociações, pois não confiam em nada que venha do lado americano. Outra possibilidade é que os consumidores dos media ocidentais estejam a ser preparados para um grande ataque de falsa bandeira, e os arquitectos de tal plano acreditam que reafirmar a posição de Trump sobre Netanyahu é uma boa jogada. Claro que um terceiro cenário é que a chamada realmente aconteceu e foi uma tática de Trump vazar a essência da conversa para a imprensa numa tentativa desesperada de recuperar alguma credibilidade, dado que está a parecer tão tolo e totalmente subjugado por Netanyahu. Neste último cenário, não parece necessariamente verdade que a hierarquia tenha sido reposta, em termos de quem manda em quem no panorama internacional.

Contudo, não podemos ignorar o facto de que Israel suspendeu os bombardeamentos ao Líbano por ora, o que indicaria que Trump está a esforçar-se ao máximo para chegar a um acordo com o Irão. O Líbano, por enquanto, parece estar a desempenhar um papel crucial em toda a guerra com o Irão, embora seja provável que a maior parte das informações que Trump recebe seja manipulada para atender aos seus desejos, em vez de reflectir a verdade. No Salão Oval, anunciou que nenhum navio conseguiria furar o bloqueio quando, no mesmo dia, 24 navios conseguiram passar escoltados pelos iranianos – além de anunciar que quase toda a produção de mísseis do Irão tinha sido destruída (o que está longe de ser verdade). Perante a quantidade de mentiras e fantasias propagadas por Trump, não é difícil não levar a sério a chamada telefónica de Bibi. O único teste real para saber se Trump está realmente no comando agora é se Israel continuará a sabotar quaisquer acordos que tente fechar. Se a ligação foi genuína ou não é menos importante do que aquilo que aqueles que a apresentaram à imprensa estão a tentar alcançar: uma recalibração da relação de trabalho entre os EUA e Israel.

Para já, a internet entrou em frenesim com a criatividade que se poderia esperar, chegando mesmo a animar a própria ligação com a inteligência artificial. Embora seja verdade que Trump, de muitas formas, tenha salvo Netanyahu, pelo menos por enquanto, de ser preso pelo poder judicial por acusações de corrupção, parece improvável que Trump lhe tenha dito que todos o odeiam. Quem dera que fosse verdade. Se tem dificuldade em duvidar da autenticidade da chamada, basta perguntar-se: se Trump ligasse a Bibi e lhe desse um raspanete daqueles, como imagina que seria essa chamada?





Martin Jay - Martin Jay é um premiado jornalista britânico radicado em Marrocos, onde desempenha as funções de correspondente do Daily Mail (Reino Unido). Anteriormente, cobriu a Primavera Árabe para a CNN e a Euronews. De 2012 a 2019, viveu em Beirute, onde trabalhou para vários órgãos de comunicação internacionais, incluindo a BBC, Al Jazeera, RT e DW, além de ter desempenhado funções de jornalista freelancer para o Daily Mail, o The Sunday Times e a TRT World (Reino Unido). A sua carreira levou-o a trabalhar em quase 50 países em África, no Médio Oriente e na Europa, para um vasto leque de importantes órgãos de comunicação social. Já viveu e trabalhou em Marrocos, Bélgica, Quénia e Líbano.



Fonte: https://strategic-culture.su/news/2026/06/04/trump-call-bibi-probably-didnt-happen/

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