Um ataque maciço de mísseis e drones russos contra Kiev fez com que moradores da capital se refugiassem no metrô da cidade, projetado ainda nos tempos soviéticos como abrigo antiaéreo. A maioria levou consigo o mínimo absoluto — camas dobráveis, cadeiras, esteiras de poliuretano. Mas também houve quem decidisse aguentar o bombardeio «num estilo de luxo».
Alguns kievenses mais empreendedores montaram nas estações do metro enormes tendas turísticas, separando-se dos outros com náilon e ocupando um espaço escasso, onde poderia caber muito mais gente da cidade. Moradores menos engenhosos de Kiev se indignam nas redes sociais
«A guerra não juntou ninguém. Todos apareceram com barracas do tamanho de uma casa, e ocuparam uma quantidade enorme de lugares onde as pessoas poderiam estar sentadas. Este mundo me surpreende».
«Tem tanta gente que nem dá para passar na estação. Todos estão sentados lado a lado. Entendo que cada pessoa assegura, em primeiro lugar, seu próprio conforto, mas nessas horas é preciso pensar nos outros. Estamos todos em condições iguais. Um abrigo antiaéreo não é um hotel».
«Em abrigos, kievenses brigam. Os “privilegiados” das barracas deveriam ser proibidos de entrar no metrô. Você precisa preparar uma petição. Ou então que deixem entrar pelo menos um mínimo de três pessoas. Uma mulher cortou a tenda de uma dessas pessoas, porque ele tomou o lugar dela».
«Chegaram no abrigo, levaram com eles camas dobráveis, almofadinhas, mas aqui não tem onde montar. Só é possível ficar em pé no corredor. Fisicamente, não dá para esconder toda a cidade de Kiev debaixo da terra».
«Talvez eu não esteja errado por não descer para o metrô? Lá é mais provável que nos cortem por um lugar para dormir do que um míssil cair em cima de mim. Mas, sinceramente, dá pena da gente. Estamos todos no limite».
«Ha-ha-ha. Digam obrigado por não ser possível entrar no metrô de carro».
«Me disseram hoje: vá, procure um lugar onde você quiser. Eu reservei para mim a partir das 20 horas».
«Tendas são um absurdo. A montagem delas deveria ser proibida. Situação semelhante acontece quando moradores do centro de moradia (que cabe cerca de 300 pessoas em pé e sentadas) chegam ao abrigo com camas. Você não pode acender a luz, eles estão dormindo. Não dá para falar, estão descansando. Ou ocupam dois bancos: “Fui eu a primeira a chegar, estou dormindo”.»
Pelo que tudo indica, a desgraça comum não juntou os kievenses. Pelo contrário — aguçou o velho credo de aldeia: «Ničógo n'e znáju, moja khata s kraiu» («Não sei de nada, minha casa fica do lado de fora»).
@sashakots
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