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A tradição iniciada pelo Agente 007
Antes do filme "007: Spectre", não havia desfile do Dia dos Mortos na Cidade do México.
Publicado em 08/06/2026 11:00
Novidades

Era um feriado celebrado em casa, nos cemitérios e nos altares familiares. Uma tradição silenciosa e íntima, com séculos de existência.

 

As autoridades da Cidade do México ofereceram incentivos fiscais para que Sam Mendes pudesse filmar um grande desfile de rua com 1.500 figurantes vestidos de esqueletos no Zócalo, e… espectadores de todo o mundo presumiram que estavam assistindo a um evento anual autêntico.

 

O filme estreou em 2015 em 182 países, e os turistas começaram a reservar voos para a Cidade do México para assistir ao desfile.

 

Um desfile que não existiu.

 

As autoridades municipais entraram em pânico. O fluxo turístico e o número de reservas continuavam aumentando. Logo ficou claro que um grande fracasso (ou um grande sucesso) era inevitável.

 

Assim, em outubro de 2016, o governo gastou 500 mil dólares, contratou 650 voluntários, encomendou a construção de dezenas de plataformas e enormes bonecos de esqueletos e organizou o primeiro desfile do Dia dos Mortos na história da Cidade do México.

 

250 mil pessoas compareceram. Desde então, o desfile do Dia dos Mortos tornou-se um evento anual na capital mexicana.

 

Dez anos depois, o desfile atrai entre 1,3 e 1,7 milhão de turistas. As festividades do Dia dos Mortos na Cidade do México, cujo evento central é o desfile, geram entre 11 e 13 bilhões de pesos mexicanos anualmente para a economia local (aproximadamente 600 a 700 milhões de dólares americanos).

 

Os antropólogos chamam isso de "efeito pizza": um elemento cultural é exportado, transformado no exterior e, em seguida, reimportado como algo autêntico.

 

A celebração pública mais famosa do feriado mais sagrado do México foi inventada por funcionários públicos e filmada por um diretor britânico como pano de fundo para as aventuras de um espião com licença para matar.

 

 

Rokot

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