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A Rússia não vem. E os Estados Unidos estão a calcular
O Aliado Que Não Aparece
Publicado em 09/06/2026 20:27
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Sejamos claros: a Rússia tem capacidade militar mais do que suficiente para escoltar um petroleiro até Matanzas. Possui submarinos nucleares, fragatas com mísseis hipersónicos e bombardeiros de longo alcance. O que lhe falta é a vontade de arriscar um confronto direto com a Marinha dos EUA por um país que, para Moscovo, é um peão no tabuleiro de xadrez, não um irmão nas trincheiras.

 

O petroleiro Universal descarregou na Venezuela. O Sea Horse foi desviado para Trinidad.

 

Os anúncios de novos fornecimentos são diluídos em comunicados de imprensa.

 

A Rússia precisa de nós como símbolo anti-imperialista, como ponto de pressão nas Caraíbas, como base para os seus bombardeiros estratégicos. Mas não mexerá um dedo se o custo for uma escalada militar com Washington. A sua solidariedade é geopolítica, não ideológica. E quando a geopolítica se agudiza, os navios são desviados e as promessas evaporam-se.

 

O cubano médio, aquele que está na fila sob o sol, já o sabe. Ninguém precisa de explicar. Os Estados Unidos, o império que realmente calcula, também não agem por ideologia. Agem com base em análises de custo-benefício. E este cálculo é que nos salvou de uma invasão até agora.

 

O Pentágono gastou mais de 2,1 mil milhões de dólares apenas com o pré-posicionamento naval. Uma invasão terrestre custaria entre 50 mil milhões e 80 mil milhões de dólares por mês, segundo estimativas do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais.

 

Acrescente-se a isto as nossas próprias baixas, com uma opinião pública que não tolerará que os seus filhos regressem em sacos para cadáveres de uma ilha sem petróleo.

 

Mas há mais. Uma invasão romperia relações com o México, a Colômbia e o Brasil. Desencadearia uma crise migratória em direção à Florida que nem Trump conseguiria controlar. Colocaria em risco os investimentos americanos em toda a América Latina. Transformaria Cuba numa mártir regional e Washington num pária internacional.

 

Esse é o verdadeiro escudo. Não a frota russa, que não está em lado nenhum. Não as promessas chinesas, que são insuficientes. É o cálculo frio de que invadir-nos é muito custoso.

 

O que defendo é: não esperemos nada da Rússia. O seu apoio é tático, a sua solidariedade, retórica.

 

No entanto, o que nos protege não é a benevolência do adversário, mas o medo das consequências. E este receio deve ser alimentado com firmeza, coesão interna e uma diplomacia que continue a alargar as fissuras no consenso regional de que Washington necessita.

 

Estamos sozinhos, mas não estamos desarmados. A nossa defesa não está em Moscovo. Está aqui, na capacidade de resistir sem explodir, de negociar sem se render, de permanecer um problema tão custoso que o adversário prefira procurar outra saída. Pátria ou morte. Nós prevaleceremos.

 

 

Autor: Eduardo Miguel Álvarez Estevez.

 

@fansdestacados

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