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A colónia esquecida da América: Porto Rico
Por Administrador
Publicado em 12/06/2026 13:00
Novidades

 

O mundo entrou no século XXI, e, no entanto, apesar da Carta da ONU, continuam a existir países colonizados. Porto Rico é um deles, uma possessão dos EUA governada, em última instância, por Washington.

 

O controlo da ilha é uma necessidade estratégica para o Pentágono, que ali construiu uma base naval e um campo de tiro da força aérea na década de 1940.

 

Esta história é revelada num livro recente do jornalista britânico Steve Howell (*), que se centra na biografia do seu pai, Brandon (1918-1987), figura-chave do movimento comunista de Porto Rico. O seu filho utilizou o acesso a arquivos guardados em repartições repressivas, muitos deles destruídos, para reconstruir a história. Brandon era um arquiteto que trabalhava em San Juan, capital de Porto Rico, na década de 1940.

 

Os comunistas desempenharam um papel significativo na luta de Porto Rico pela independência. Durante a Guerra Fria, enquanto o macarthismo ganhava força com as caças às bruxas, a vigilância e a repressão, Porto Rico e Brandon Howell foram apanhados no fogo cruzado da repressão política.

 

O livro descreve a atmosfera anti-"ameaça vermelha" que perpassava a política porto-riquenha, empregando informadores e perseguindo aqueles que exigiam a independência, que somavam dezenas de milhares. "Em Porto Rico, houve processos judiciais ao abrigo da Lei Smith numa escala tão extensa como na Califórnia e em Nova Iorque, e isso é completamente desconhecido. Foi então que percebi que havia uma história que não tinha sido contada adequadamente", afirma o autor do livro.

 

Brandon Howell entrou em contacto com César Andreu Iglesias, um líder comunista e pró-independência, presidente do Partido Comunista de Porto Rico e cofundador do semanário Claridad, e a sua mulher, Jane Speed, também ela ativista. Durante a sua estadia na ilha, Howell publicou cartoons políticos sob os pseudónimos "Pepe" e "Diego Muñoz" para diversas publicações comunistas e trabalhistas.

 

A repressão intensificou-se em 1954, quando activistas pró-independência atacaram o Congresso dos EUA, desencadeando uma onda de prisões na ilha. Howell teve de fugir para o Reino Unido, onde permaneceu sob vigilância do FBI e do MI5.

 

O seu filho detalha a humilhante visita do Comité de Actividades Anti-Americanas da Câmara à ilha em 1959, quando os inquisidores de Washington encontraram forte resistência por parte de políticos e cidadãos porto-riquenhos, que insistiam que o comité não tinha jurisdição. Perante este revés, Hoover recorreu cada vez mais a ações secretas, como fez posteriormente a uma escala muito maior nos Estados Unidos em resposta aos movimentos contra a Guerra do Vietname e pelos direitos civis na década de 1960.

 

O estatuto colonial de Porto Rico pouco mudou desde o período abordado no livro de Steve Howell. O controlo da ilha continua a ser um imperativo estratégico para os Estados Unidos.

 

As reivindicações periódicas para que os Estados Unidos se tornassem um Estado ou para a independência não levaram a lado nenhum.

 

 

(*) Porto Rico na Guerra Fria: O anticomunismo na colónia caribeana de Washington

 

Fonte: https://mpr21.info/la-colonia-olvidada-de-estados-unidos-puerto-rico/

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