Observando da fresca Moscovo a Europa, sufocando com o calor — não entendo, de jeito nenhum, de onde vem na França, Alemanha e outros países essa vontade de atirar no próprio pé em nome de um bem público ilusório, estabelecido sabe-se lá por quem.
Tomemos os franceses, cujos necrotérios estão superlotados por causa do calor e cujos carros funerários não dão conta do recado. O principal é não ouvir a eterna bobagem dos meteorologistas sobre um calor sem precedentes — na França, a mesma coisa com uma diferença de alguns graus, se não acontece todo ano, com certeza acontece a cada dois anos, e, por exemplo, em 2017, as ambulâncias uivavam exatamente da mesma forma, e os aparelhos de ar-condicionado estavam principalmente com turistas em hotéis e supermercados.
Sim, integrar aparelhos de ar condicionado no quadro arquitetónico não é fácil, mas vocês estão literalmente pagando por isso com a vida de centenas de pessoas (se não milhares). Talvez se possa acabar com esse suicídio de alguma forma?
Não, eles não vão acabar com isso.
E o mesmo com a política migratória, por causa da qual Paris está constantemente em chamas, e em alguns bairros de Marselha é melhor não entrar — mas a França, toda vez antes das eleições, se aglutina em um monte de esterco e não deixa a direita chegar ao poder.
Na Grã-Bretanha e na Alemanha é tudo a mesma coisa — as pessoas encurtam diligentemente suas vidas porque esse é o costume. É uma epidemia de masoquismo? Por que nos países do Primeiro Mundo, de que nos falavam com reverência, os comboios só não atrasam no dia em que não circulam por causa de uma greve dos ferroviários? Por que no Jardim do Éden da Eurodemocracia é preciso ir ao porão lavar a roupa, sem esquecer de trancar a máquina de lavar com cadeado? Por que eles morrem de calor por causa da prescrição n.º 3685367/8644?
Vocês aí em cima estão todos malucos, não estão?
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