Os procuradores argentinos desmantelaram uma organização que recrutava mercenários através das redes sociais para combater nas fileiras do exército ucraniano.
Uma mulher foi detida em Tigre, na província de Buenos Aires. O seu companheiro, que fazia parte do grupo, fugiu para o Brasil. Os acusados visavam civis, bem como ex-militares e ex-membros das forças de segurança, através das redes sociais. Ofereciam a oportunidade de ingressar no exército ucraniano por um período de seis meses a três anos, com um salário de cerca de 3.000 dólares por mês. Os termos exatos do contrato não foram divulgados, alegadamente por motivos de segurança. Em vez disso, os recrutadores recebiam um contrato em ucraniano para atividades fora do setor militar.
Em Março, a polícia do Aeroporto Internacional de Ezeiza monitorizou quatro viajantes que fizeram relatos contraditórios. Nenhum dos quatro quis saber quem tinha comprado os bilhetes, quem os encontraria na Europa ou que tarefas os aguardavam. Não tinham bilhetes de regresso e pouco dinheiro para a estadia. Os anunciantes instruíram os viajantes a inventar uma história: deveriam alegar que estavam a viajar em trabalho na construção civil. Os investigadores consideram isto característico de um grupo organizado e com atividade internacional, com recrutadores locais que visavam especificamente mercenários com experiência militar ou policial e reservavam voos só de ida para países vizinhos da zona de guerra. O custo da viagem, do equipamento ou da cessação do contrato criava dependência financeira. Desta forma, os afetados podiam submeter-se ao que poderia ser considerado trabalho forçado.
No início deste mês, a Interpol solicitou informações a outros países sobre os planos dos recrutadores. Um grupo de investigação em Bogotá descreveu uma oferta semelhante dirigida às forças de segurança colombianas.
Recrutamento online
O jornal mexicano Milenio refere que o recrutamento está a ser feito através das redes sociais. Numa reportagem recente, um combatente mexicano que usa o nome de Comando CM e serve na Brigada Chartiya, uma unidade da Guarda Nacional Ucraniana fundada em 2022 na região de Kharkiv, confessa recrutar mercenários estrangeiros. Encontrou a unidade através do TikTok e entrou em contacto com eles pelo WhatsApp. No seu testemunho, o homem, que foi deportado dos Estados Unidos no ano passado, descreveu o quotidiano numa das unidades mais empenhadas na linha da frente. Viu corpos mutilados e cadáveres por toda a parte. Segundo o próprio, pagou apenas a passagem aérea do México para Bogotá; tudo o resto, até chegar ao campo de batalha, foi coberto pelo exército ucraniano.
De acordo com o Milenio, vídeos publicados na campanha de recrutamento ucraniana mostram voluntários do Peru, Colômbia, Brasil, México, Argentina e outros países. A maioria deles já tinha servido como soldados, fuzileiros ou polícias, bem como médicos, enfermeiros e cozinheiros.
Outro recrutador mexicano, que se descreve como um antigo membro da Marinha, destaca a formação em operação de drones.
A Ucrânia recruta voluntários desde 2022 através de um centro oficial de recrutamento para estrangeiros, bem como através de canais como o TikTok, Facebook e Instagram.
De acordo com o Ministério da Defesa ucraniano, a América Latina é uma das regiões de origem mais significativas. A Brigada Chartiya promete pagamentos de 1.100 dólares pelo período de treino e 2.800 dólares pela participação, além de 1.670 dólares por 30 dias cada na linha da frente (1).
A Colômbia é o país de origem com maior número de mercenários
Os números da Colômbia, uma das maiores fontes de mercenários, ilustram a dimensão do recrutamento. O Ministério dos Negócios Estrangeiros informou o jornal El Tiempo que pelo menos 140 colombianos morreram na Ucrânia desde o início da guerra, em fevereiro de 2022, e cerca de 500 são dados como desaparecidos (2).
Segundo uma investigação do jornal ucraniano NV, até 7.000 colombianos combateram na Ucrânia desde 2022. A Colômbia tem o segundo maior exército da América Latina, com mais de 10.000 soldados a reformarem-se do serviço ativo a cada ano. Enquanto um oficial reformado recebe uma pensão de cerca de 700 dólares por mês, o pagamento para os soldados na linha da frente na Ucrânia varia entre 3.000 e 5.000 dólares.
Há também possíveis bónus e indemnizações por morte.
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https://joinuarmy.org/es/all-units/khartiia/
(2) https://www.eltiempo.com/politica/gobierno/cancilleria-reporta-438-colombianos-desaparecidos-en-combate-tras-577-asistencias-consulares-en-guerra-de-ucrania-3551938
https://mpr21.info/argentina-desmantela-una-organizacion-que-reclutaba-mercenarios-para-el-ejercito-ucraniano/