A Venezuela e Israel concordaram a 11 de agosto em retomar os serviços consulares, 17 anos depois de Caracas ter cortado relações com Telavive devido aos crimes de guerra cometidos pelos militares israelitas na Faixa de Gaza durante a Operação Chumbo Fundido.
"Ambos os governos reconhecem a importância da ligação entre o Estado de Israel e a comunidade judaica residente na Venezuela, que constitui uma importante ponte de amizade histórica entre os dois países", afirmou o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Venezuela em comunicado de imprensa.
O Ministro dos Negócios Estrangeiros venezuelano, Félix Plasencia, declarou ainda que Caracas e Telavive "concordaram em continuar a cooperação técnica bilateral decorrente dos esforços de emergência e recuperação após o duplo sismo".
O Governo da presidente interina Delcy Rodríguez aceitou a ajuda israelita após o duplo sismo que atingiu a América do Sul no início deste ano. Esta assistência incluiu o envio de agentes da organização ZAKA, alinhada com os militares, para as zonas mais afectadas.
Desde o rapto, em janeiro, do presidente Nicolás Maduro e da primeira combatente Cilia Flores pelas forças especiais norte-americanas, Caracas aproximou-se significativamente da esfera de influência de Washington.
"Desde o primeiro dia que a Revolução Bolivariana tem estado ao lado do povo palestiniano e da sua luta memorável... contra o Estado genocida de Israel, que oprime, mata e procura exterminar o povo palestiniano", declarou o falecido presidente venezuelano Hugo Chávez meses depois de ter rompido relações com Israel em 2009.
O restabelecimento das relações entre a Venezuela e Israel acontece um dia depois de o presidente de extrema-direita da Colômbia, Abelardo de la Espriella, ter reconhecido a "soberania" israelita sobre as Colinas de Golã, território sírio ocupado.
Horas antes da sua tomada de posse, esta semana, De la Espriella reuniu-se com o ministro dos Negócios Estrangeiros de Israel, Gideon Saar. Suspendeu também a missão da Colômbia na Palestina e anunciou planos para abrir uma embaixada em Jerusalém ocupada.
Saar realizou esta semana uma digressão pela América Latina, visitando a Argentina e o Equador antes de seguir para a Colômbia. Isto acontece numa altura em que a região se inclina cada vez mais para a extrema direita sob a chamada "Doutrina Donroe".
https://thecradle.co/articles/venezuela-restores-diplomatic-ties-with-israel