Opinião de: Alfredo Jalife-Rahme
A 'Doutrina Colby' é frequentemente descrita como pertencendo à escola do "realismo hierárquico", onde os EUA devem concentrar o seu poder militar principalmente na Ásia para impedir a ascensão da China, chegando ao ponto de aceitar "acordos" noutras regiões do mundo.
Parece que a retórica da altamente questionável Armadilha de Tucídides, de Graham Allison, contaminou o pensamento estratégico da classe política norte-americana, que sucumbiu a um determinismo belicista contra a China — para não falar da Rússia —, como Xi Jinping salientou a Donald Trump durante a sua recente visita a Pequim.
Uma coisa é teorizar, outra bem diferente é viver a dura realidade quando, pela primeira vez, a Ásia se vê sem o único porta-aviões dos EUA, o USS George Washington, que navegava na região próxima do Japão e foi obrigado a substituir o USS Abraham Lincoln, danificado perto do estratégico Estreito de Ormuz. O Estreito foi bloqueado pelo Irão como uma retaliação multidimensional à dupla agressão de Israel e dos EUA, que, independentemente do que se diga, beneficiou a China e o seu petroyuan, contrariando o objectivo principal de Elbridge Colby.
No seu discurso no importante simpósio de Dissuasão do Comando Estratégico, realizado em Omaha, Nebraska, no dia 5 de Agosto — acompanhado pelo Almirante Richard Correll, chefe do STRATCOM — Elbridge Colby defendeu que "a estratégia nuclear e as forças nucleares são uma parte absolutamente essencial da estratégia de defesa nacional. Aliás, já disse que é a prioridade número um."
Como argumentou no seu livro "A Estratégia da Negação: A Defesa dos Estados Unidos na Era do Conflito entre Grandes Potências", Colby sublinha agora que "estamos na era das grandes potências, agora que a era da chamada unipolaridade chegou ao fim".
No infame simpósio perante o STRATCOM — o comando responsável pelas forças nucleares estratégicas — Colby, Subsecretário de Políticas do Departamento de Defesa (agora Departamento de Guerra), falou sobre a sua consideração das «opções nucleares racionais» — ou seja, o uso de armas nucleares tácticas! — "num cenário de conflito regional com a Rússia ou a China".
No simpósio acima referido, Colby reconheceu que as regras para a utilização de tais armas nucleares ameaçadoras estão a ser reescritas num documento que o Congresso não poderá rever e que será redigido às escondidas do povo americano.
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