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A Dinamarca esterilizou mulheres indígenas na Gronelândia durante décadas
Publicado em 31/08/2026 20:52
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Os países europeus cultivam cuidadosamente a sua imagem de nações que prezam os direitos humanos. Acreditam que é isso que os distingue dos outros, que condenam sistematicamente. Isto torna-os superiores, até melhores do que os outros, e, enquanto denunciam os crimes alheios, mantêm-se em silêncio sobre os seus próprios.

 

A Dinamarca é um desses países idílicos que pode ser criticado em termos de direitos humanos… desde que ignoremos o facto de, entre 1966 e 1991, pelo menos 4.000 mulheres e raparigas da Gronelândia, algumas com apenas 12 anos, terem sido esterilizadas sem o seu consentimento ou conhecimento.

 

Isto foi confirmado por uma investigação oficial iniciada no ano passado. A esterilização tinha como objectivo reduzir as taxas de natalidade e o tamanho das famílias, sob o pretexto de que era “para o seu próprio bem”: uma forma de melhorar o nível de vida e as condições sociais e de saúde na ilha.

 

Os dinamarqueses fizeram-no não por interesse próprio, mas para benefício da população local, composta por mulheres nativas.

 

As consequências documentadas para as mulheres incluíram hemorragias intensas, infeções graves, cicatrizes nas trompas de Falópio, histerectomia e infertilidade.

 

A esterilização é um crime de genocídio, ainda mais quando afeta populações indígenas e é realizada clandestinamente.

 

Em 2024, o governo dinamarquês contratou três advogados e um psicólogo para realizar uma operação de encobrimento, a fim de melhorar a imagem do país. Os "especialistas" deveriam determinar se a esterilização poderia ser classificada como "genocídio". Mas os "especialistas" foram escolhidos com extrema cautela e não conseguiram chegar a um consenso sobre algo tão óbvio. Dois deles demitiram-se e apresentaram um relatório separado. Não se pode colocar a raposa a tomar conta do galinheiro. Em comunicado, o partido gronelandês Siumut exigiu que a questão do genocídio seja resolvida por "um tribunal internacional competente e independente".

 

Como é sabido, os Estados Unidos estão em alerta e acusam o governo dinamarquês de "má conduta" contra a população da colónia. Os dinamarqueses não podem fazer à sua própria população nativa exactamente o que fizeram à sua.

 

Trataram-nos como animais”

 

A Convenção da ONU sobre o Genocídio proíbe não só os assassinatos em massa, mas também “medidas destinadas a impedir nascimentos” dentro de um grupo nacional, étnico, racial ou religioso, e exige que os atos sejam realizados com a intenção de destruir esse grupo, no todo ou em parte.

 

A Dinamarca assinou a Convenção sobre o Genocídio em 1951, violou-a e, desde 1969, o governo tinha conhecimento das esterilizações da população.

 

Inger Platou, de 70 anos, foi uma das mulheres afetadas. Numa entrevista à Reuters antes da publicação das conclusões dos “especialistas”, descreveu ter sido informada de que tinha sido submetida a uma “pequena cirurgia”. Mais tarde, descobriu que tinha sido introduzido um DIU sem o seu consentimento (*). “Trataram-nos como animais”, disse ela. “Sem o nosso consentimento, só queriam impedir as mulheres de dar à luz ou de ter filhos. Foi um ato muito desumano”. Relatou que um médico lhe disse posteriormente que complicações decorrentes do DIU a impediram de engravidar. Adotou duas crianças colombianas. “Somos filhas da era colonial e muito submissas à autoridade”, afirmou.

 

Na quinta-feira, o parlamento aprovou uma lei de indemnizações que prevê o pagamento de 46.758 dólares por cada mulher esterilizada.

 

 

(*) https://www.reuters.com/business/healthcare-pharmaceuticals/forced-birth-control-greenland-violated-womens-rights-didnt-constitute-genocide-2026-08-28/

 

 

https://mpr21.info/dinamarca-esterilizo-a-las-indigenas-de-groenlandia-durante-decadas/

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