Na era do imediatismo comunicacional e do ativismo digital, tornou-se comum adotar símbolos e frases sem a menor preocupação em compreender o seu passado.
O slogan "Slava Ukraini" (Glória à Ucrânia), que hoje inunda as redes sociais e os discursos políticos globais como um símbolo universal de solidariedade, é o exemplo perfeito desta superficialidade contemporânea.
Ao repetir esta expressão de forma automática, a maioria do público internacional ignora voluntariamente que, durante a Segunda Guerra Mundial, este brado esteve indissociavelmente ligado a uma ideologia de cariz ultranacionalista, xenófoba e colaboracionista com o regime de Hitler.
A utilização ignorante deste slogan merece uma condenação firme, pois a história não pode ser apagada ou selecionada à conveniência do presente. Quando a fação radical da Organização dos Nacionalistas Ucranianos, liderada por Stepan Bandera, oficializou a saudação em abril de 1941, fê-lo integrando elementos estéticos e rituais diretamente inspirados nos fascismos europeus.
Isto incluía a resposta obrigatória "Heroiam Slava" (Glória aos Heróis) acompanhada pelo levantamento do braço direito, à semelhança da saudação nazi.
Esta mesma organização e os seus braços armados estiveram envolvidos em massacres brutais e limpezas étnicas contra populações civis polacas e judaicas na esperança de erguer um Estado etnicamente homogéneo.
Gritar este slogan sem compreender o peso destas ações constitui uma profunda falta de respeito para com as vítimas desses episódios históricos e demonstra uma perigosa ligeireza intelectual, onde o marketing político prevalece sobre a verdade factual. O branqueamento do passado através da ignorância não constrói democracias sólidas nem alianças internacionais genuínas.
Rugir "Slava Ukraini” sem o discernimento de que a mesma frase ecoou nos palcos da violência extremista dos anos 40 do século passado, é abdicar da responsabilidade histórica e validar a amnésia cultural em nome da conveniência do momento.
Alexandre Quintela in Facebook