Offline
MENU
Países BRICS mudam de estratégia face ao dólar
Embora o dólar continue a ser utilizado, os BRICS procuram reduzir a sua dependência desta moeda em algumas das suas transações internacionais.
Publicado em 17/09/2026 16:24
Novidades

Por enquanto, os países BRICS estão a deixar de lado o progresso para uma moeda comum e a dar prioridade às liquidações em moedas nacionais.

 

Reunidos em Nova Deli no passado fim de semana, os seus membros confirmaram a aprovação de uma abordagem baseada nos pagamentos transfronteiriços e na interligação dos seus sistemas financeiros.

 

A decisão ocorre num contexto em que o grupo ostenta diversas vantagens económicas. A China contribui com o seu poderio industrial, a Índia com os seus serviços digitais e vasto mercado, a Rússia e os países do Golfo com os seus recursos energéticos, o Brasil e a Indonésia com a sua produção agrícola e mineira, enquanto o Egito controla uma importante rota comercial graças ao Canal do Suez.

 

A África do Sul e o Irão também possuem recursos significativos em matéria de mineração e energia.

 

Coletivamente, os onze membros representam quase metade da população mundial, 40% do PIB global e 26% do comércio internacional.

 

A declaração adoptada em Nova Deli não prevê a criação de uma moeda única.

 

A Índia indicou ainda que não existe, neste momento, qualquer proposta oficial nesse sentido. Segundo o Secretário de Estado para os Assuntos Económicos da Índia, as negociações centram-se sobretudo na possibilidade de liquidar um maior volume de comércio bilateral utilizando as moedas dos países envolvidos. Por conseguinte, esta abordagem descarta, nesta fase, a ideia de uma moeda destinada a substituir o dólar no comércio do bloco. Tem também em conta a diversidade das economias membros e as suas respetivas prioridades monetárias.

 

A iniciativa prioritária é facilitar as transações entre os bancos e os sistemas de pagamento dos diferentes países. Os BRICS continuam a trabalhar na interoperabilidade das suas infraestruturas financeiras e na utilização de moedas locais para comércio e investimento.

 

A cimeira abordou também a interligação de moedas digitais de bancos centrais. No entanto, persistem divergências quanto à arquitetura técnica a adotar. A Índia manifestou relutância em relação a certas soluções que envolvem infraestruturas desenvolvidas sob o impulso da China.

 

Esta mudança de rumo ocorre num contexto de forte crescimento do comércio entre os membros. Segundo a UNCTAD, o comércio de bens entre as nações BRICS aumentou mais de 13 vezes desde 2003, atingindo 1,17 triliões de dólares em 2024.

 

A China mantém-se como o principal ator nestas trocas, à frente de outras grandes economias do grupo.

 

Os recursos naturais constituem outra vantagem coletiva. Os dados dos BRICS indicam que o grupo é responsável por aproximadamente 43,6% da produção global de petróleo, 36% da produção de gás natural e quase 72% das reservas globais de terras raras. Portanto, a estratégia actual centra-se menos na criação de uma nova moeda e mais no aproveitamento das complementaridades económicas existentes para fomentar o comércio directo entre os membros. Embora o dólar continue a ser utilizado, os BRICS procuram reduzir a sua dependência desta moeda em algumas das suas transações internacionais.

 

 

 

https://mpr21.info/frente-al-dolar-los-paises-del-grupo-brics-cambian-de-estrategia/

Comentários