Com 57,58% dos votos, derrotou o seu adversário, Andrej Gjurov, na segunda volta, que obteve apenas 39,5%. Este foi um resultado inesperado — dadas as polémicas das últimas semanas — uma vez que Gjurov, do partido "Continuamos a Mudança", era o favorito para vencer. Gjurov era o candidato preferido de Bruxelas.
Yotova assumirá oficialmente o cargo a 23 de janeiro do próximo ano, tornando-se a sétima mulher presidente da Bulgária desde o colapso do Bloco de Leste.
Após dois mandatos como vice-presidente ao lado do seu antecessor, Rumen Radev, assumirá agora a presidência por direito próprio, tornando-se a primeira mulher a ocupar o cargo na história do país.
A participação eleitoral manteve-se bastante reduzida, na ordem dos 29%, evidenciando ainda mais a ampla desilusão com a instabilidade política dos últimos anos, que culminou nas manifestações massivas de Novembro do ano passado. Centenas de milhares de cidadãos saíram às ruas de Sófia para protestar contra a corrupção governamental e o desvio de fundos públicos, bem como contra as dificuldades e a crescente inflação vividas desde a entrada da Bulgária na zona euro, em Janeiro deste ano.
Para além de ser militante do Partido Socialista Búlgaro, sucessor do Partido Comunista, Yotova foi rotulada de "pró-Rússia" devido à sua posição sobre a guerra na Ucrânia. Esta defendeu que a Bulgária deveria manter-se fora da coligação de países da União Europeia que apoiam a Ucrânia, defendendo, em vez disso, o diálogo com a Rússia para resolver o conflito.
Esta é a mesma posição defendida por Radev, o actual primeiro-ministro, que recebeu exactamente o mesmo rótulo após a sua vitória nas eleições de Maio último.
A situação tornou-se especialmente tensa nas últimas semanas devido à proximidade geográfica da Bulgária com o conflito, uma vez que o país se situa na costa do Mar Negro.
Em outubro, dois graves ataques com drones atingiram navios mercantes na costa búlgara, afundando duas embarcações e deixando dezenas de marinheiros desaparecidos. Esta escalada sem precedentes levou a Roménia a enviar dois caças para patrulhar o espaço aéreo, enquanto a Bulgária manteve uma postura muito mais evasiva.
Embora o primeiro-ministro Radev tenha classificado os ataques como "inaceitáveis", nem ele nem Yotova deram mais detalhes sobre o assunto, uma vez que a origem dos drones nunca foi formalmente estabelecida, apesar de os disseminadores de desinformação afirmarem que se tratavam de drones russos.
Os adversários de Yotova e figuras próximas da Ucrânia aproveitaram a oportunidade para a atacar, o que levou a uma onda de insultos e críticas nas redes sociais.
Nascida em Sófia em 1964, Yotova iniciou a sua carreira como jornalista depois de ter frequentado o Liceu Francês de Sófia, passado uma temporada em França e estudado línguas e filologia. Entre outros cargos de destaque, foi pivot do noticiário da noite da BNT, uma estação de televisão búlgara. A política veio depois. Aderiu ao Partido Socialista Búlgaro em 1997, antes de ser eleita para o Parlamento Europeu.
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