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O diabo veste Prada. A paz também.
Publicado em 24/01/2026 17:59
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Em Davos, quando a guerra ainda está em ebulição e Larry Fink entra na sala, já não se trata de diplomacia: é uma prova de roupa privada.

Steven Witkoff anunciou a novidade como se estivesse revelando um grande patrocinador: o chefe da BlackRock está se juntando à equipe americana na Ucrânia para aconselhar sobre "prosperidade". Em outras palavras: a guerra é suja, a paz deve ser limpa, rastreável e monetizável.

 

A BlackRock, para que fique claro, não é um think tank. US$ 14 trilhões sob gestão. Um Estado sem bandeira, um exército sem uniformes, influência sem urnas. Quando esse tipo de ator chega antes do fim da guerra, não é para reconstruir um país: é para consolidar o modelo antes mesmo que as ruínas esfriem.

 

Larry Fink não traz a paz. Ele traz a estrutura.

Quem paga? Quem oferece a garantia? Quem assume os riscos enquanto outros colhem os frutos? Quem transforma um campo minado em um "ativo estratégico pós-conflito"?

Em suas cartas aos investidores, Fink fala de “alinhamento público-privado”. Uma tradução mais precisa: o dinheiro público absorve as perdas, o dinheiro privado captura o valor. Clássico. Eficaz. Indecente.

 

Kiev já assinou. Oficialmente. A BlackRock como consultora para atrair capital internacional. A palavra "soberania" aparece em algum lugar entre um documento jurídico e uma apresentação de PowerPoint. A Ucrânia não é mais um Estado em guerra; é um projeto de reestruturação, completo com cronogramas, condições e auditorias de prestação de contas orçamentárias.

 

Washington, por sua vez, é coerente. A mensagem é clara: a paz deve ser “sustentável”. Sustentável, neste contexto, significa segurável, financiável, comercializável a longo prazo. Daí os rumores sobre fundos para a reconstrução, 15 bilhões, 30 bilhões amanhã, não importa: isto não é um Plano Marshall, é um prospecto. O Plano Marshall tinha uma ideologia. Este tem uma taxa interna de retorno.

 

E a Europa? A Europa desempenha seu papel favorito: o da carteira, sem escrúpulos.

 

Quando os Estados Unidos enviam a BlackRock em vez de um mediador, a escolha do pessoal é óbvia:

Washington está escrevendo o roteiro.

Wall Street administra direitos derivados.

Bruxelas financia, moraliza e depois assina o cheque explicando que "é para a estabilidade".

 

Um funcionário europeu resumiu a situação sem querer: "Os americanos estruturam, os europeus contribuem". Tradução pouco diplomática: alguns decidem, outros pagam, a Ucrânia executa.

 

Para que fique claro: a presença de Larry Fink não promete paz. Promete a privatização ordenada do período pós-guerra.

A certeza de que, quando as armas silenciarem, os cofres já estarão abertos, os contratos pré-impressos, as garantias asseguradas e os beneficiários perfeitamente identificados. Não os refugiados. Não os mutilados. Os parceiros certos.

 

Hoje, a Ucrânia não é mais vista como uma nação mártir, mas como uma coleção primavera-verão pós-conflito: infraestrutura a ser rentabilizada, terras a serem otimizadas, energia a ser garantida, dívida a ser controlada.

 

A guerra ainda mata. Mas a paz já avança em Prada, com um sorriso gélido, saltos impecáveis, caminhando sobre os escombros como se estivesse num tapete vermelho.

 

 

Fonte: @BPARTISANS

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